BC aposta em crescimento de 2% e economia surpreende no 1º trimestre

Robson Alves
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O Banco Central revisou para cima suas projeções e aposta em 2% de crescimento em 2026. A decisão vem após resultado positivo do PIB e avanço na agropecuária e indústria.

O Banco Central (BC) revisou suas estimativas e agora projeta um crescimento de 2% para a economia em 2026. A atualização foi divulgada no Relatório de Política Monetária, que foi apresentado na última quinta-feira (25). O documento destaca a surpresa positiva no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre e a melhoria nas expectativas para os setores da agropecuária e da indústria extrativa.

No primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira cresceu 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, com crescimento em todos os três principais setores: agropecuária, indústria e serviços. Em razão desse desempenho, o Banco Central elevou as previsões para esses setores e também para a demanda interna, que inclui o consumo das famílias e os investimentos empresariais.

O BC explica que essa revisão reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna, em grande parte devido a estímulos fiscais e creditícios.

“A revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico”,

diz o relatório.

No entanto, o BC alerta que o cenário também é impactado por uma expectativa de aumento nas taxas de juros, o que pode limitar esse crescimento.

“Em sentido oposto, a expectativa de trajetória mais elevada para as taxas de juros tende a mitigar esse impulso”,

acrescentou a autarquia.

O relatório ainda detalha as políticas adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para determinar a taxa Selic, que é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Desde junho de 2025, a Selic estava em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O Copom iniciou cortes na taxa em março, em um cenário de redução da inflação. Contudo, a guerra no Oriente Médio elevou os preços de combustíveis e alimentos, dificultando cortes mais profundos.

Na última reunião, o Copom, por unanimidade, decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo, mesmo com as tensões sobre a guerra.

O BC ainda menciona as incertezas geradas pelos conflitos internacionais no ambiente econômico interno.

“Embora seus efeitos mais evidentes sobre a economia brasileira até o momento tenham se concentrado nos preços, o conflito no Oriente Médio também eleva a incerteza em torno das projeções de crescimento”,

explica a autarquia.

Em 2025, a economia brasileira havia crescido 2,3%, com todos os setores apresentando crescimento, especialmente a agropecuária. Essa performance representa o quinto ano consecutivo de crescimento.

Em relação à inflação, em maio, os preços dos alimentos pressionaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou em 0,58%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, superando o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CNM), que é de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O Banco Central também ressaltou que a inflação deve aumentar até o fim de 2026, permanecendo acima do limite superior da meta por mais de dois trimestres consecutivos, antes de retornar a níveis mais baixos em 2027. A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta em 2026 subiu de 30% para 79% em comparação com o relatório anterior.

Por fim, a projeção de crescimento do crédito para pessoas físicas e empresas em 2026 foi mantida em 9%, com ajustes nas expectativas de crescimento de diferentes segmentos. O desempenho das famílias será impactado por programas do governo, enquanto a projeção para empresas foi reduzida pela expectativa de condições de crédito mais restritivas.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.