Australiana que lidera órgão de segurança digital relata ameaças enquanto aplica veto a redes para menores de 16 anos

William Kevim
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Sydney, Austrália – Aos 57 anos, Julie Inman Grant trabalha diariamente sob escolta virtual e real. Diretora da Comissão de Segurança Eletrônica da Austrália (eSafety), a executiva afirma lidar com ameaças de morte e estupro quase toda semana desde que passou a cobrar das gigantes de tecnologia uma política inédita no mundo: impedir que usuários com menos de 16 anos acessem as redes sociais no país.

A restrição entrou em vigor em 10 de dezembro de 2025 e atinge dez plataformas, entre elas Facebook, Instagram, Snapchat e YouTube. A determinação exige que as empresas removam perfis de adolescentes e adotem mecanismos de verificação de idade. Pais australianos veem a regra como um reforço na tentativa de conter a pressão dos filhos por criar contas, mas pesquisadores de bem-estar infantil questionam a eficácia da exclusão e apontam o risco de isolar jovens de comunidades importantes, sobretudo moradores de áreas rurais, pessoas com deficiência e adolescentes LGBTQIA+.

Carreira dentro e fora do setor de tecnologia

Nascida em Seattle, berço de empresas como Microsoft e Amazon, Inman Grant iniciou a trajetória profissional assessorando um congressista norte-americano em temas de telecomunicações. Mais tarde concluiu mestrado em comunicação internacional e passou pela Microsoft, onde chegou à Austrália no início dos anos 2000. Ainda atuou no então Twitter (atual X) e na Adobe antes de aceitar, em 2017, o convite para chefiar o recém-criado órgão regulador independente de segurança on-line.

Desde então, o orçamento da comissão quadruplicou e o quadro de servidores foi ampliado. Defensores veem na expansão o reconhecimento de que o escritório ficou “mais relevante a cada dia”, segundo o ex-comissário Alastair MacGibbon.

Confrontos públicos e ataques virtuais

O ativismo de Inman Grant fez dela alvo fácil. Dados pessoais foram expostos por grupos neonazistas e, em 2024, um embate com o bilionário Elon Musk, proprietário do X, multiplicou insultos on-line. Ela exigiu a retirada de um vídeo que mostrava o esfaqueamento de um bispo em Sydney; Musk recusou e a chamou de “comissária da censura”. Estudo da Universidade Columbia registrou mais de 70 mil menções hostis ao nome dela ou à comissão em 23 de abril daquele ano, ante média diária de 145.

No Congresso dos Estados Unidos, o presidente do Comitê Judiciário da Câmara, o republicano Jim Jordan, classificou a reguladora como “fanática por remoções globais” e ameaçou acusá-la de desacato se ela não testemunhar sobre a lei australiana. Paralelamente, a proibição enfrenta contestações no Supremo Tribunal australiano apresentadas pelo fórum Reddit e por dois adolescentes.

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Imagem: BBC

Laboratório doméstico e novas frentes

Mãe de três filhos – entre eles gêmeos de 13 anos – Inman Grant diz que a própria casa virou “laboratório” para observar o impacto das redes. Uma das filhas aceitou bem ficar fora do Instagram e do Snapchat; a outra reagiu como se “o mundo fosse desabar”. Para a comissária, retardar a entrada dos jovens em ambientes digitais oferece tempo para desenvolver raciocínio crítico e resiliência. Ela costuma comparar a internet a um mar aberto: “precisamos ensinar as crianças a nadar e alertá-las sobre tubarões, os predadores on-line”.

Enquanto monitora o cumprimento da regra para adolescentes, a executiva volta a atenção à próxima pauta: regulamentar o uso de inteligência artificial. “O planeta demorou para agir em relação às redes sociais; não podemos repetir o erro com a IA”, afirma. Seu segundo mandato termina em 2027, e ela admite que talvez deixe o cargo após uma década de serviço. Mesmo assim, avisa que continuará trabalhando para tornar o ambiente digital mais seguro, seja assessorando governos ou empresas.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.