No Dia Internacional da Democracia, comemorado em 15 de setembro, o Fórum pela Democracia promoveu na noite dessa segunda-feira (15) a 12ª edição do ato Direitos Já! – Em Defesa da Democracia e da Soberania Nacional. O encontro ocorreu no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Tuca), reunindo lideranças políticas de vários partidos, representantes da sociedade civil, artistas, intelectuais, juristas e religiosos.
Criado em 2019 como reação à escalada autoritária no país, o movimento Direitos Já! foi um dos articuladores da frente ampla que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Durante o evento, o coordenador-geral, Fernando Guimarães Rodrigues, leu um manifesto que defende a democracia, a soberania nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), e critica uma possível anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Manifesto critica pressões externas
O documento acusa o ex-presidente norte-americano Donald Trump de tentar interferir nos processos contra Jair Bolsonaro e aliados, mencionando a imposição de tarifas de 50% às exportações brasileiras como forma de pressão. “Derrotamos uma tentativa de golpe de Estado desfechada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, que foram condenados. Contudo, a Justiça brasileira enfrentou uma agressiva tentativa de ingerência”, afirmou Rodrigues ao ler o texto.
Segundo o manifesto, a família Bolsonaro e parlamentares aliados teriam buscado apoio no exterior para pressionar o Congresso Nacional a aprovar uma anistia considerada “anticonstitucional”. O texto sustenta que perdoar condenados por atos antidemocráticos favoreceria novos ataques ao regime democrático.
Mensagem da ONU e apoio do STF
Em vídeo enviado ao evento, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, reforçou a importância da democracia. “Vivi sob uma ditadura e ajudei a reconstruir a democracia em Portugal. Sei a diferença”, declarou.
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Presente na abertura da cerimônia, o ministro do STF Gilmar Mendes ressaltou a gravidade do momento político, mas disse que as instituições têm resistido. “Raramente vivemos um momento tão difícil nestes 40 anos de democracia. É fundamental o apoio da sociedade civil ao Supremo e a todas as instituições nacionais”, afirmou em mensagem gravada.
Vice-presidente chama golpistas de “traidores”
Último orador da noite, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou como “traidores” os responsáveis pela tentativa de golpe. “Se perdendo a eleição tentaram dar um golpe, imagine se tivessem ganhado. Mesmo fora do governo, continuam trabalhando contra o interesse do povo brasileiro”, disse. Alckmin encerrou citando Ulysses Guimarães: “Traidor da Constituição é traidor da pátria. Viva a democracia”.
O ato terminou com o apelo por uma mobilização nacional em defesa da liberdade, dos direitos fundamentais e da soberania, destacando a data como marco para reforçar o compromisso com o Estado Democrático de Direito.
Fonte: Agência Brasil
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