Associação internacional acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza

Robson Alves
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Brasília, 1º de setembro de 2025 – A Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio (IAGS, na sigla em inglês) aprovou no domingo (31) uma resolução que classifica as ações de Israel na Faixa de Gaza como genocídio. Mais de dois terços dos cerca de 500 integrantes da entidade, criada em 1994, votaram a favor do documento.

Principais pontos da resolução

O texto de três páginas sustenta que o governo israelense comete “crimes sistemáticos e generalizados contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio”, citando:

  • ataques deliberados contra civis e infraestrutura civil, incluindo hospitais, residências e estabelecimentos comerciais;
  • matança e ferimentos em mais de 50 mil crianças;
  • destruição de campos agrícolas, armazéns de alimentos e padarias, combinada com restrições à entrada de ajuda humanitária;
  • deslocamento forçado de quase toda a população de 2,3 milhões de habitantes e demolição de mais de 90% das moradias em Gaza;
  • tortura, detenções arbitrárias, violência sexual e ataques a profissionais de saúde, trabalhadores humanitários e jornalistas.

Segundo a IAGS, esses atos se enquadram no artigo 2º da Convenção da ONU de 1948 para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

Reação de Israel

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores israelense classificou a decisão da associação como “vergonhosa” e “baseada na campanha de mentiras do Hamas”. O comunicado afirma que Israel luta somente contra o grupo palestino e busca libertar reféns, mencionando o ataque de 7 de outubro de 2023 que deixou 1.200 mortos em Israel.

Contexto internacional

Israel já responde a um processo por genocídio na Corte Internacional de Justiça, aberto pela África do Sul e apoiado por outros países, entre eles o Brasil. Organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch também descrevem a ofensiva em Gaza como genocida, alegação que Tel Aviv rejeita.

Declarações de autoridades

A IAGS destaca pronunciamentos de representantes israelenses que se referiram aos palestinos como “animais humanos” e defenderam “máximo dano” à Faixa de Gaza. O documento menciona ainda o apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a propostas de expulsão em massa dos palestinos, medida classificada por Navi Pillay, presidente da Comissão de Inquérito da ONU, como limpeza étnica.

Fome agravada

A associação afirma que a destruição de fontes de alimento e o bloqueio a insumos essenciais colocaram Gaza no nível 5 de insegurança alimentar – o mais grave na escala da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.