Assembleia iraniana define novo líder supremo, mas mantém nome em sigilo

Robson Alves
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Foco SE

O Irã já tem um novo líder supremo. A confirmação foi feita pelo clérigo Mohsen Heidari Alekasir, representante da província de Khuzistão na Assembleia dos Peritos, órgão formado por 88 religiosos que tem a atribuição constitucional de escolher a autoridade máxima da República Islâmica. O nome do escolhido, porém, permanece em sigilo até que o anúncio oficial seja divulgado pelo secretariado da assembleia.

Alekasir declarou à agência estatal Isna que “a opção mais adequada, aprovada pela maioria”, foi selecionada sem reunião presencial, em razão das “circunstâncias atuais”. A votação ocorre pouco mais de um mês após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, morto em ataque atribuído a forças de Israel e dos Estados Unidos no primeiro dia da guerra que envolve os três países.

Trabalho ininterrupto

Outro membro da assembleia, Hojjatoleslam Mahmoud Rajabi, relatou à agência Mehr que os religiosos “trabalharam dia e noite” para chegar a um consenso. Segundo ele, o comunicado definitivo “será transmitido pelo Secretariado da Assembleia de Peritos e pela Mesa Diretora”.

Interferência externa rejeitada

A sucessão em Teerã passou a ser alvo de pressão internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou à agência Axios que “precisa estar envolvido na nomeação” e refutou a possibilidade de Mojtaba Khamenei, filho do líder morto, assumir o posto. Em resposta, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou à NBC News que a decisão “é exclusivamente do povo iraniano” e que “nenhum país tem direito de interferir”.

Ameaça israelense

Do lado israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, ameaçou publicamente eliminar o futuro aiatolá. “Será um alvo inequívoco para eliminação, independentemente de quem seja ou de onde se esconda”, escreveu em rede social.

Guerra custa vidas civis

Até o momento, autoridades iranianas contabilizam 1.332 civis mortos desde o início do conflito. Entre as vítimas estão 168 meninas que perderam a vida quando uma escola foi bombardeada, episódio que escancarou a dimensão da tragédia humanitária.

Funções do cargo

O líder supremo ocupa o topo da estrutura de poder instaurada em 1979. Ele supervisiona o Executivo, o Parlamento, o Judiciário e nomeia metade do Conselho dos Guardiões. A Assembleia dos Peritos, eleita por voto popular, não só escolhe como também pode destituir o aiatolá, ainda que o mandato seja vitalício. Ali Khamenei exerceu o cargo por 36 anos, até ser morto no ataque que desencadeou a guerra.

Com o sucessor já definido, a expectativa recai agora sobre o momento e a forma do anúncio oficial, em meio às tensões internas e às pressões externas que cercam a República Islâmica.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.