São Paulo – A Amazon promoveu na quarta-feira, 28 de janeiro, uma nova rodada de demissões que resultou no desligamento de aproximadamente 16 mil colaboradores em vários países. A companhia confirmou o total global, mas não divulgou quantos contratos foram encerrados no Brasil.
Um ex-empregado brasileiro, que pediu para não ser identificado, contou ao g1 como recebeu a notícia. Segundo ele, o aviso chegou por meio de um convite para videoconferência com o setor de Recursos Humanos. “É assustador. Você nunca imagina que vai acontecer com você, ainda mais quando o desempenho está bem avaliado”, relatou.
Segunda onda em menos de quatro meses
O enxugamento anunciado em janeiro é o segundo em curto intervalo. Em outubro de 2025, a multinacional já havia dispensado 14 mil pessoas. Somando as duas ações, cerca de 10% do quadro corporativo foi atingido, de acordo com dados da agência Reuters. Considerando todas as operações — incluindo centros de distribuição — a empresa emprega aproximadamente 1,5 milhão de profissionais no mundo.
Clima de incerteza e comunicado enviado por engano
Rumores sobre um novo corte começaram na sexta-feira, 23 de janeiro, deixando funcionários em alerta. O ex-colaborador entrevistado afirmou que o silêncio interno na segunda-feira (26) aumentou a tensão. Na terça (27), um e-mail encaminhado por engano mencionava “Project Dawn” e informava, incorretamente, que equipes nos Estados Unidos, Canadá e Costa Rica já teriam sido notificadas.
“Cargo não era mais necessário”
Durante a reunião virtual que formalizou o desligamento, o trabalhador ouviu que seu desempenho não influenciou a decisão. A justificativa apresentada foi a eliminação de níveis hierárquicos para reduzir burocracia. Após o anúncio, ele teve 40 minutos para remover arquivos pessoais do notebook corporativo.
A explicação se alinha ao comunicado oficial assinado por Beth Galetti, vice-presidente de Experiência de Pessoas e Tecnologia. “Estamos fortalecendo a organização ao reduzir camadas, aumentar a responsabilidade e eliminar a burocracia”, afirmou a executiva.
Impacto da inteligência artificial é citado, mas ex-empregado aponta corte de custos
Em junho de 2025, o CEO Andy Jassy comentou que a adoção de inteligência artificial deve diminuir a necessidade de certas funções e abrir vagas em outras áreas. O profissional ouvido discorda de que a tecnologia seja a principal causa do corte atual. Para ele, a medida visa “enxugar custos e entregar valor ao acionista”.
Imagem: Divulgação
Reestruturação de lojas físicas
Na terça (27), a Amazon também anunciou cortes nas divisões Fresh (supermercados) e Go (lojas de conveniência) e sinalizou o fechamento de unidades físicas dessas marcas. Algumas serão convertidas em pontos da rede Whole Foods, especializada em produtos naturais e orgânicos.
Resultados financeiros às vésperas do balanço
A companhia divulgará o desempenho do quarto trimestre de 2025 na próxima quinta-feira, 5 de fevereiro. No terceiro trimestre, a receita avançou 13%, enquanto o lucro ficou estável.
O ex-funcionário afirma já ter testemunhado demissões em massa em outras empresas do setor de tecnologia e lamenta que a prática se torne rotineira. “Empresas desse porte tratam o funcionário como número, e isso é sempre cruel”, concluiu.
Com informações de G1
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