Agronegócio bate recorde de falências e acende alerta no campo

Rafael Ramos
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O setor rural registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior número da história. Endividamento crescente ameaça produtores e preocupa especialistas.

Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro tem enfrentado um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial, evidenciando uma crescente pressão financeira sobre os produtores rurais. Em 2025, o setor atingiu um recorde de 1.990 solicitações, segundo levantamento da Serasa Experian. Este número representa uma elevação considerável em comparação aos anos anteriores.

De acordo com Alisson Almeida, especialista em Direito Civil e Processo Civil da Minuzzo Advogados Associados, essa tendência não é isolada. Ele aponta que uma combinação de fatores estruturais, que se intensificaram desde 2021, está por trás desse aumento. Entre os principais motivos, estão o aumento dos custos de produção, especialmente em relação a insumos atrelados ao mercado internacional, como fertilizantes, sementes e combustíveis.

Além disso, Almeida ressalta que a queda no valor das commodities, eventos climáticos extremos e um crescente endividamento dos produtores também contribuíram para essa situação. A dinâmica do setor agrário agrava ainda mais o impacto financeiro, uma vez que muitos contratos são baseados na própria produção. Isso significa que, em casos de quebra de safra ou perda de produtividade, o produtor pode não conseguir cumprir com suas obrigações financeiras.

“Se a safra não entrega o esperado, o produtor fica em débito com fornecedores, bancos e arrendamentos. Isso compromete toda a cadeia financeira e pode levar à necessidade de proteção judicial”, explica Alisson.

O especialista destaca que a recuperação judicial deve ser vista com cautela. “Nem todo endividamento exige recuperação judicial. É preciso avaliar a real capacidade de pagamento e buscar soluções menos drásticas antes”, orienta.

Ele sugere que, em muitos casos, existem alternativas que podem evitar a judicialização, como a renegociação direta com credores e a revisão de contratos com juros abusivos. A recuperação judicial, apesar de ser um mecanismo legal que permite a suspensão das cobranças e a negociação coletiva com credores, pode se prolongar por anos. O processo exige uma prestação detalhada de contas e pode resultar em falência se não forem cumpridas as condições estabelecidas.

“O processo exige prestação detalhada de contas, fiscalização por administrador judicial, aprovação do plano pelos credores e cumprimento obrigatório das condições estabelecidas. Caso contrário, há risco de falência. Tudo isso pode se desenrolar por anos”, conclui Alisson Almeida.

A Minuzzo Advogados Associados, fundada pelo Dr. Guilherme Minuzzo, se destaca na prestação de serviços jurídicos a empresários e empresas, visando transformar cada entrega jurídica em uma decisão de crescimento e desenvolvimento.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.