Subiu para 66 o número de vítimas fatais do acidente envolvendo um avião de transporte Hercules C-130 da Força Aérea Colombiana, que caiu durante a decolagem em Puerto Leguízamo, na fronteira com o Peru, na segunda-feira (23). As autoridades ainda procuram quatro pessoas desaparecidas e mantêm as operações de resgate na região de difícil acesso.
A aeronave, fabricada pela norte-americana Lockheed Martin, transportava 128 ocupantes: 11 militares da Força Aérea, 115 do Exército e dois policiais, informou o comandante-geral das Forças Armadas, Hugo Alejandro López. Nem todos os corpos foram recuperados devido às condições do terreno e ao incêndio que consumiu parte da fuselagem.
De acordo com o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, o avião sofreu um impacto próximo ao fim da pista logo após iniciar a decolagem. O bombeiro Eduardo San Juan Callejas relatou à emissora Caracol que uma das asas atingiu uma árvore, provocando a queda, seguida de fogo e da detonação de um artefato explosivo que estaria a bordo.
Moradores da área rural foram os primeiros a chegar, resgatando sobreviventes em motocicletas por estradas de terra. Equipes militares e ambulâncias conseguiram acesso ao local posteriormente, mas enfrentaram dificuldades causadas pela vegetação densa e pela ausência de vias pavimentadas.
Hugo López detalhou que 57 feridos foram levados a hospitais próximos; 30 permanecem em condição estável em uma clínica militar. Ele garantiu que o comando atuará com “máxima responsabilidade, humanidade e transparência” na investigação do desastre.
Repercussão e investigação
Em nota, a Lockheed Martin apresentou condolências aos familiares das vítimas e colocou sua equipe técnica à disposição das autoridades colombianas. Os investigadores ainda não divulgaram dados específicos sobre a versão e o histórico de manutenção do C-130 acidentado.
Nas redes sociais, o presidente Gustavo Petro afirmou que a tragédia reforça a necessidade de modernizar a frota das Forças Armadas e criticou entraves burocráticos que, segundo ele, atrasam esse processo. “Não permitirei mais atrasos; são as vidas de nossos jovens que estão em jogo”, escreveu. Ele também sinalizou que servidores civis ou militares que dificultarem a modernização poderão ser afastados.
Candidatos à eleição presidencial marcada para 31 de maio prestaram solidariedade às famílias e pediram rigor na apuração das causas. O histórico de operação do C-130 na Colômbia remonta ao fim da década de 1960; parte dos aparelhos foi recentemente modernizada com unidades repassadas pelos Estados Unidos sob programas de transferência de equipamentos excedentes.
O acidente ocorre menos de um mês depois da queda de outro Hércules C-130, pertencente à Força Aérea Boliviana, em El Alto. Na ocasião, mais de 20 pessoas morreram e 30 ficaram feridas.
As equipes de busca seguem na área de Puerto Leguízamo à procura dos desaparecidos, enquanto peritos recolhem destroços para determinar, com precisão, a cadeia de eventos que levou à maior tragédia aérea militar do país nos últimos anos.
Com informações de Agência Brasil
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