Governo desliga sites de apostas nesta terça; saque acaba hoje

Robson Alves
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Usuários têm até o fim desta segunda-feira (5) para retirar saldos em casas de apostas e jogos virtuais. Após o prazo, as plataformas autorizadas serão desligadas por determinação de MP.

Quem ainda tem dinheiro em sites de apostas esportivas e jogos virtuais tem até as 23h59 desta segunda-feira (5) para solicitar o saque diretamente nas plataformas. A partir da 0h de terça-feira (6), os sites e aplicativos deverão ser retirados do ar.

A medida integra a Medida Provisória 1.394/2026, assinada em 25 de setembro, que determina o encerramento das plataformas de apostas autorizadas e cria um mecanismo para devolver aos usuários os valores que permanecerem nas contas.

O prazo desta segunda-feira vale para o saque voluntário. Quem não conseguir retirar o dinheiro até o fim do dia não perde o saldo: os valores remanescentes deverão ser devolvidos posteriormente por meio das instituições financeiras responsáveis pela intermediação.

5 de outubro

  • Até 23h59: último dia para o saque voluntário diretamente nas plataformas.

 

6 de outubro

  • A partir de 0h: sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.

 

7 e 8 de outubro

  • 7 e 8/10: empresas deverão informar aos bancos os valores mantidos pelos usuários, identificados pelo CPF.

 

9 a 14 de outubro

  • 9 a 14/10: instituições financeiras deverão realizar a devolução dos valores aos apostadores.

 

A partir de 14 de outubro

  • 14/10 em diante: quando houver impedimento para a devolução pelos bancos, a Caixa Econômica Federal passará a intermediar o pagamento.

 

Segundo o governo, lojas de aplicativos, provedores de internet e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) deverão atuar no bloqueio dos sites e aplicativos. Quem tentar acessar as plataformas poderá ser direcionado a uma página com orientações sobre o resgate dos valores.

A devolução prevista no cronograma vale para os saldos existentes nas plataformas que estavam autorizadas pelo governo. Estimativas da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, indicam que cerca de 23 milhões de apostadores mantinham contas com saldo nas plataformas regularizadas e que aproximadamente R$ 1,7 bilhão deverá ser devolvido.

Para os valores que não forem retirados voluntariamente, as empresas deverão informar aos bancos os saldos remanescentes associados ao CPF de cada usuário. É recomendável guardar comprovantes da solicitação, do saldo disponível e da operação de saque. Caso o dinheiro não seja retirado dentro do prazo, o usuário deverá acompanhar as orientações da instituição financeira responsável pela devolução.

A partir de amanhã, o acesso às plataformas poderá deixar de funcionar.

As empresas do setor também deverão retirar peças de publicidade, propaganda e marketing. O prazo para a remoção de anúncios e de marcas relacionadas a contratos de patrocínio termina às 23h59 desta segunda-feira. A medida tem impacto relevante no futebol: segundo dados apresentados pelo governo, as plataformas desembolsaram R$ 1,1 bilhão em 2025 para os principais clubes do país, equivalente a 36% das receitas de marketing dessas equipes.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas apontam que os brasileiros movimentaram cerca de R$ 220 bilhões nas plataformas em 2025, com movimentação diária próxima a R$ 600 milhões. Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) estimou que as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, com saída líquida média de R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, contesta esse levantamento.

Quanto à arrecadação, a taxação das empresas de apostas online rendeu R$ 15,3 bilhões ao governo federal desde o início de 2025: R$ 8,94 bilhões em 2025 e R$ 6,32 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. Esses recursos foram considerados relevantes para o cumprimento das metas fiscais do governo.

A ofensiva contra as apostas integra um pacote de medidas econômicas voltado ao combate ao endividamento das famílias e aos problemas associados ao uso compulsivo de jogos virtuais. O governo também determinou medidas contra plataformas clandestinas: desde 27 de setembro, o Ministério da Justiça determinou o bloqueio de mais de 5,2 mil sites de apostas considerados irregulares.

A regulamentação das apostas de quota fixa começou a ser estruturada em 2023; o setor havia sido legalizado em 2018, mas a regulamentação prevista originalmente não foi implementada dentro dos prazos. A Medida Provisória 1.394/2026 precisa ser analisada pelo Congresso Nacional e poderá perder validade caso não seja aprovada dentro do prazo constitucional.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.