IAs indicam candidatos apesar de regra eleitoral do TSE, diz estudo

Claudio Vasconcelos
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Levantamento do ITS Rio e do MPF identificou recomendações de voto em 20% das respostas de sete ferramentas em agosto. Pesquisa mede o cumprimento das regras eleitorais pelas plataformas.

Um monitoramento realizado pelo ITS Rio, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), aponta que, em agosto, 20% das respostas fornecidas pelas ferramentas de inteligência artificial mais usadas no país recomendaram candidatos aos eleitores.

A quinta rodada da pesquisa Boca de IA foi divulgada nesta sexta-feira (25) e traz a distribuição das sugestões diretas de voto entre as plataformas analisadas. O estudo avalia se as sete ferramentas de IA mais populares no Brasil estão cumprindo a resolução do Tribunal Superior Eleitoral de 2026, que proibiu que as plataformas façam rankings, sugiram ou priorizem candidatos, emitam opiniões ou promovam qualquer tipo de favorecimento político-eleitoral.

Plataformas que ofereceram sugestões diretas de voto

  • Perplexity — 89%: apresentou sugestões diretas de voto em 89% das respostas analisadas.
  • Meta IA — 23%: apresentou sugestões diretas de voto em 23% das respostas analisadas.
  • Grok — 14%: apresentou sugestões diretas de voto em 14% das respostas analisadas.
  • DeepSeek — 11%: apresentou sugestões diretas de voto em 11% das respostas analisadas.
  • ChatGPT, Claude e Gemini — 0%: não trouxeram indicações em nenhuma das respostas analisadas.

A pesquisa também revela que as ferramentas apresentaram algum tipo de ranqueamento de candidatos em 86% das respostas analisadas no período. São consideradas formas de ranqueamento, além de listas ordenadas por critérios que não o alfabético, respostas que expressam preferência por candidaturas por meio de destaque visual, omissão de nomes ou sugestão direta de voto.

Na disputa presidencial, apenas quatro candidaturas foram citadas por todas as sete IAs avaliadas. Das 197 candidaturas aos governos estaduais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 20 foram citadas pelas ferramentas analisadas, segundo o levantamento.

A análise desses dados subsidia a atuação do Grupo de Trabalho sobre Desinformação na Internet, Interferência Cibernética na Democracia e Influência nas Eleições, do MPF. Integrantes desse grupo realizam reuniões com representantes das empresas para tentar sanar problemas e garantir o cumprimento da resolução do TSE.

Segundo o MPF, essa ação já tem apresentado resultados. Após reunião com a Google, por exemplo, a indicação de candidatos apareceu zerada para a IA Gemini.

Uma sexta rodada de análise está em produção. Os resultados serão divulgados antes do primeiro turno das eleições.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.