Sem verba externa, UFS digitaliza acervo histórico de São Cristóvão em 3 anos

Gleide Selma
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Entrega dos documentos históricos no Auditório do Paço Municipal, na Praça São Francisco, em São Cristóvão. Foto: Divulgação/Ascom UFS

Reitor André Maurício destacou que o projeto foi concretizado sem qualquer financiamento externo

Sem financiamento externo, alunos e professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) digitalizaram em três anos mais de 10 mil documentos históricos de São Cristóvão.

A cerimônia aconteceu no Auditório do Paço Municipal, na Praça São Francisco — conjunto tombado pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 2010. O trabalho de preservação documental foi conduzido ao longo dos últimos três anos em parceria com profissionais do município, sem qualquer financiamento externo. “Dentro dessa perspectiva de entender o papel de cada um de nós, tanto do visto profissional, que é um aprendizado, essa é a essência também de projetos como esse, mas, sem dúvida, é o que a gente vai deixar. Porque esse trabalho é só o começo. É o começo de se conhecer enquanto história. Esse foi um projeto ímpar e fundamental. Este dia, este momento aqui é histórico, porque esses documentos vão ser deixados para o futuro, para um conjunto imenso de gerações para frente”, reforçou o reitor da UFS, André Maurício.

Para dar conta do desafio, o DCI mobilizou três monitores e três voluntários, em cinco etapas metodológicas: diagnóstico, higienização, organização, digitalização e implementação do repositório digital. O projeto permitiu que bolsistas de iniciação científica aplicassem na prática o conteúdo da sala de aula. As alunas Carolina Dantas, Roberta Nascimento e Sofia Matos alertaram, porém, para as necessidades contínuas do acervo: “infelizmente apenas digitalizar um acervo não é garantia da sua preservação digital. Precisamos usar softwares e equipamentos específicos para a reprodução deste material”, afirmaram.

Como o projeto nasceu

O reitor da UFS, André Maurício, durante a cerimônia no Paço Municipal
O reitor da UFS, André Maurício, durante a cerimônia no Paço Municipal. Foto: Divulgação/Ascom UFS

O resgate teve origem em 2016, a partir de uma iniciativa da bibliotecária e documentalista do município, Rafaela Pereira. “Não apenas para mim, mas para outras pessoas. Não é sobre nós, é sobre o outro. Pensei: se eu achei relevante essa pesquisa e esses documentos, outras pessoas também podem achar, não necessariamente da minha área de biblioteconomia, documentação ou história, mas também de letras, filologia, filosofia. E foi isso que eu quis tratar e preservar, para que essas pessoas tenham o devido acesso”, destaca ela.

A professora do Departamento de Ciência da Informação Alessandra Araújo ressaltou que a ação cumpriu os três pilares acadêmicos da instituição — ensino, pesquisa e extensão. “Todo trabalho, quando construído dessa forma, com o apoio dos professores e das instituições, mesmo sem recursos financeiros e com cursos de baixo investimento, nós conseguimos realizar. E o melhor de tudo é que esse trabalho está sendo divulgado internacionalmente”, afirma.

Com informações da Ascom UFS

Estudantes do Departamento de Ciência da Informação da UFS recebem homenagem na cerimônia
Estudantes do Departamento de Ciência da Informação da UFS recebem homenagem na cerimônia. Foto: Divulgação/Ascom UFS
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