Real se valoriza e dólar cai a R$ 5,08 com juros altos e petróleo em alta

Robson Alves
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O real ganhou força nesta sessão, derrubando o dólar a R$ 5,089. Já a bolsa amargou a quarta queda seguida, pressionada pelo setor de mineração e pela cautela gerada por Trump.

O dólar teve uma nova queda, encerrando o dia cotado a R$ 5,089. Essa valorização do real é impulsionada pelos juros elevados e pela alta nos preços do petróleo. Por outro lado, a bolsa de valores registrou sua quarta redução consecutiva, impactada pelas perdas no setor de mineração.

No início do dia, o mercado reagiu positivamente a indícios de redução das tensões no Oriente Médio. No entanto, novas declarações do presidente americano, Donald Trump, mantiveram a cautela entre os investidores.

“O cenário global continua a influenciar as decisões de investimento, especialmente com as incertezas no Oriente Médio,” disse um analista de mercado.

Em relação às principais cotações, o dólar à vista caiu 0,42%, enquanto o Ibovespa registrou uma diminuição de 0,20%, com 173.371,35 pontos. O petróleo Brent, referência para o Brasil, teve um aumento de 1,27%, fechando a US$ 89,22 o barril, enquanto o WTI subiu 0,85%, atingindo US$ 82,48 o barril.

No acumulado de julho, a moeda norte-americana caiu 1,42% em relação ao real, e a desvalorização em 2026 chega a 7,28%. Esta queda acompanha a desvalorização do dólar em relação a outras moedas de países emergentes, apesar de sua alta perante divisas de economias avançadas.

Durante a manhã, o dólar chegou a operar acima de R$ 5,11, mas começou a recuar após a confirmação de que mediadores internacionais apresentaram propostas para amenizar as tensões entre Estados Unidos e Irã, resultando em uma menor busca por ativos considerados seguros.

Outro fator que ajudou a fortalecer o real é a diferença elevada nas taxas de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, que incentivou as operações de carry trade. Essa estratégia permite que investidores captem recursos em países com juros baixos para investir em mercados com taxas mais altas.

A valorização do petróleo também contribuiu para melhorias na perspectiva de entrada de dólares no Brasil através das exportações. A balança comercial do país registrou um superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com um crescimento de 6,7% nas exportações no acumulado do mês, impulsionadas pela indústria extrativa.

O Ibovespa, por sua vez, fechou o dia com uma baixa de 0,20%, acumulando a quarta sessão seguida de perdas. O índice havia superado os 174 mil pontos pela manhã, impulsionado pela expectativa de reabertura das negociações entre Estados Unidos e Irã, mas perdeu força ao longo da tarde após o endurecimento do discurso de Trump contra Teerã.

A alta nas ações da Petrobras, favorecida pela valorização do petróleo, não foi suficiente para compensar a queda nas ações do setor de mineração.

Os contratos internacionais de petróleo encerraram o dia em alta, refletindo as incertezas sobre o conflito no Oriente Médio. O Brent avançou 1,27%, enquanto o WTI subiu 0,85%. Apesar de oscilações, os preços ainda foram influenciados pelas tensões regionais e possíveis restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.