A Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal do Turismo (Setur), está avançando na elaboração do roteiro de afroturismo comunitário da Maloca. Na quarta-feira, 15, a equipe da Setur se reuniu novamente com os moradores do bairro para dar continuidade às oficinas participativas, que têm como objetivo estruturar um novo produto turístico para a capital sergipana.
A proposta foi idealizada com a participação ativa dos próprios moradores. Sob a coordenação da assessora de Estruturação de Produtos Turísticos da Setur, Larissa Bomfim, as oficinas promovem momentos de escuta, diálogo e construção conjunta, permitindo que a comunidade reconheça as potencialidades de seu território, valorize sua história e entenda o turismo como uma ferramenta de valorização cultural, fortalecimento da identidade local e geração de oportunidades.
Os encontros abordam conceitos sobre atividade turística e sua cadeia produtiva, além de explorar o tema do afroturismo e experiências desenvolvidas em diversas regiões do Brasil, utilizando materiais técnicos do Ministério do Turismo. Os participantes também conheceram o projeto Aracajuando, uma iniciativa da Setur que promove roteiros temáticos pela cidade, servindo como referência para a elaboração do roteiro da Maloca.
O diretor de Planejamento da Setur, Ícaro de Carvalho, ressaltou que a principal característica do projeto é a construção coletiva de todas as etapas. “Estamos desenvolvendo um processo em que a própria comunidade é protagonista, identificando suas histórias, seus saberes, seus espaços de memória e aquilo que deseja compartilhar com quem visita Aracaju. A proposta é que o turismo seja uma ferramenta de valorização da identidade local, fortalecimento do sentimento de pertencimento e também de geração de emprego e renda. Quando o roteiro estiver pronto, ele será resultado da escuta e da participação dos próprios moradores, mostrando que o afroturismo comunitário nasce da comunidade e para a comunidade”, destacou.
As oficinas incluem atividades que incentivam os moradores a reconhecerem o potencial turístico do território sob a própria perspectiva. Dentre essas atividades, estão o Retrato da Maloca, uma dinâmica que identifica, por meio de desenhos, espaços de memória e convivência; o Mapa Afetivo da Maloca, que reúne referências culturais, caminhos e vivências do bairro; e a atividade Mãos que Criam, Histórias que Inspiram, que se dedica ao reconhecimento de saberes tradicionais, como artesanato, culinária, música e manifestações culturais que poderão integrar as futuras experiências de visitação.
Roberto Amorim, representante da comunidade da Maloca, comentou que as oficinas permitem que o turismo seja pensado a partir das necessidades e da realidade local. “Essas oficinas proporcionam uma discussão com a comunidade e nos oferecem diretrizes que poderão contribuir para futuros projetos de turismo na Maloca. Elas são de fundamental importância porque mostram o turismo como uma oportunidade de emprego e geração de renda. Também nos ajudam a compreender questões como precificação, o envolvimento emocional do turista e fortalecem o sentimento de pertencimento da comunidade”, enfatizou.
Mestre Saci, Patrimônio Vivo de Sergipe e mestre da cultura popular, também destacou a relevância da iniciativa. “Essa oficina é muito importante para a nossa comunidade porque nos capacita e faz a gente ir muito mais além do que imagina”, afirmou.
A proposta busca consolidar a Maloca como um importante patrimônio histórico, cultural e afetivo da população negra de Sergipe. Mais do que criar um novo roteiro turístico, a iniciativa pretende oferecer aos visitantes uma experiência construída a partir das histórias, saberes, tradições e trajetórias de resistência preservadas pela própria comunidade, transformando o turismo em um instrumento de valorização cultural, fortalecimento da memória e desenvolvimento social.
Fonte: Prefeitura de Aracaju
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