Safra de grãos deve bater recorde em 2025/26 com 360 milhões de toneladas

Robson Alves
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A Conab revisou para cima sua projeção e aponta crescimento de 2,2% na produção nacional de grãos. A nova estimativa supera a temporada anterior em 7,8 milhões de toneladas.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ajustou a previsão para a safra de grãos 2025/26. No levantamento divulgado nesta terça-feira (14), o 10º do atual ciclo de produção agrícola, a estatal projeta uma produção de 360,1 milhões de toneladas. Esse volume é 0,4% superior à expectativa que a companhia havia divulgado há cerca de um mês.

Se essa previsão se concretizar, os 360,1 milhões de toneladas representarão uma alta de 2,2% em relação à produção da temporada anterior, com a colheita de 7,8 milhões de toneladas a mais em comparação ao ciclo passado.

A Conab acredita que a perspectiva positiva se deve, principalmente, à expansão da área plantada. A produtividade média nacional das lavouras deve se manter estável, alcançando 4.311 quilos por hectare.

De acordo com Fabiano Vasconcellos, gerente de Acompanhamento de Safras da companhia, as condições climáticas estão contribuindo para o desempenho das lavouras, com chuvas favoráveis e adequada umidade do solo.

“Para julho, a previsão é de manutenção dessas condições. Nada fora do normal para esta época do ano, com uma diminuição das chuvas no período, principalmente na região central do país.”

A produção de soja, cuja colheita já foi finalizada, alcançou cerca de 180,6 milhões de toneladas, representando metade das 360,1 milhões de toneladas de grãos esperadas para o ciclo. Este resultado mostra um avanço de 5,3% em relação à safra passado, impulsionado por um crescimento de 2,7% na área cultivada e pelas boas condições climáticas.

Quanto ao milho, a Conab estima que a colheita deve atingir 141,7 milhões de toneladas. Se confirmado, isso representará uma alta de 0,4% em relação à safra anterior e corresponderá a quase 40% de toda a safra de grãos atual.

No ciclo atual, a primeira safra de milho, que já está quase toda colhida, deve totalizar 29,6 milhões de toneladas. A segunda safra, com 38,9% da área colhida, deve atingir 109,43 milhões de toneladas, um índice inferior à média dos últimos cinco anos. A terceira safra deve resultar em 2,7 milhões de toneladas.

A colheita de arroz também já foi encerrada, apresentando uma produção de 11,1 milhões de toneladas, 13,1% abaixo do volume da safra passada, reflexo de uma menor área destinada ao cultivo. Para o feijão, a produção total estimada é de 3 milhões de toneladas, 1,4% inferior ao ciclo anterior.

“Neste ciclo da segunda safra do feijão tivemos algumas adversidades climáticas, principalmente nas últimas semanas de junho. Enquanto na Região Nordeste as chuvas foram mais escassas, nas regiões Sul e Sudeste, as frentes frias trouxeram chuva, reduziram as temperaturas e provocaram até geadas em algumas localidades. Isto acabou impactando alguma lavoura e reduziu o potencial produtivo”, explicou Vasconcelos.

Segundo ele, mesmo com as reduções previstas, o volume de arroz e feijão a ser colhido deve garantir o abastecimento no mercado doméstico.

O algodão apresenta uma produção prevista de 4,06 milhões de toneladas de pluma, com 8,1% da área já colhida. As boas condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras, refletindo em um ganho de produtividade de 2,8% em relação à safra 2024/25.

A atualização da safra de algodão também permitiu ajustes na expectativa de exportação da fibra, que pode chegar a 3,38 milhões de toneladas, resultando em um estoque final de 2,67 milhões de toneladas.

Por fim, o trigo, um produto de destaque entre as culturas de inverno, está em fase final de plantio. A expectativa da Conab é de uma redução de 23,5% no volume a ser colhido, estimado em 6 milhões de toneladas. Este resultado reflete tanto a menor área destinada ao cereal quanto a expectativa de uma menor produtividade média nas lavouras neste ciclo.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.