Audiências em Washington revelaram amplo apoio à retirada das tarifas sobre produtos do Brasil. Rochas naturais brasileiras foram destaque, com especialistas defendendo sua singularidade no mercado global.
A maioria dos participantes das audiências públicas realizadas nos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifas contra o Brasil manifestou-se contra essa medida. As reuniões ocorreram em Washington, capital americana.
Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas, a Associação Brasileira de Rochas Naturais, destacou que, apesar de haver pessoas contrárias ao Brasil, a maior parte dos presentes defendeu a remoção das tarifas ou a inclusão de produtos em listas de exceções.
Ele enfatizou que a rocha brasileira possui características únicas, diferenciando-se de outros países, e que esses produtos atendem à indústria dos Estados Unidos. Essa posição foi apoiada por participantes do setor norte-americano.
“Foi interessante porque a pergunta foi igual para nós três. Eu fui o primeiro a falar e os outros disseram: ‘eu vou ecoar exatamente o que o Fábio posicionou. O Brasil é de longe o principal produtor e a maior diversidade que existe no mundo de pedra natural’.”
Fábio também ressaltou a necessidade de o setor empresarial brasileiro se fazer mais presente nos Estados Unidos para defender seus interesses.
“Eu mesmo fui ao Congresso algumas vezes com o escritório de lobby que nós contratamos aqui. Esse trabalho é institucionalizado e regulamentado, necessitando ser levado a sério. Ficou claro para mim que essa é a expectativa e que temos um trabalho pela frente sobre isso,” afirmou.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados se posicionou, junto a instituições locais americanas, contra as tarifas, destacando que os Estados Unidos são o principal destino das exportações de calçados brasileiros. O Brasil é visto como uma alternativa estratégica, uma vez que a maior parte dos calçados importados pelos Estados Unidos provém da Ásia.
O Sindicato da Indústria do Ferro em Minas Gerais também participou, mencionando que 60% do ferro-gusa utilizado na indústria norte-americana vem do Brasil. A tarifação poderia impactar os custos dos produtos nos EUA, um argumento apoiado por empresas americanas presentes nas audiências.
Segundo uma nota do governo brasileiro, das 78 entidades e pessoas físicas que se inscreveram para se manifestar, 63 se opuseram às tarifas, enquanto 15 se mostraram a favor.
As audiências são distintas. A que ocorreu nesta terça-feira (7) tratou de uma investigação contra o Brasil, alegando práticas desleais, como desmatamento ilegal e questões de propriedade intelectual. Isso inclui uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A outra audiência, que termina nesta quinta-feira, abrange 60 países que não tomaram medidas adequadas para evitar a importação de produtos fabricados com trabalho forçado, propondo uma sobretaxa de 12,5%.
A decisão final sobre as tarifas será divulgada no dia 15 de julho.
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