A PF aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro bancou cinco diárias no Four Seasons, em Lisboa, para os parlamentares. A conta chegou a R$ 90 mil.
O relatório da Polícia Federal sobre a Operação Compliance Zero revela que Daniel Vorcaro custeou as diárias em um hotel de luxo em Lisboa para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e para o senador Ciro Nogueira (PP) em 2024.
Foram cinco diárias no valor total de 3.155 euros, em um hotel cinco estrelas, o Four Seasons. Isso representa mais de R$ 90 mil.
Um trecho do relatório mostra uma conversa datada de 18 de junho de 2024 entre Vorcaro e um aliado, Leo Serrano. Durante a conversa, Vorcaro solicita uma reserva para ele e, em seguida, menciona: “preciso de mais dois quartos lá. Ciro e Hugo”.
Leo Serrano responde rapidamente, informando que “no Four Seasons, Ciro e Hugo já têm cada um uma Jr. Suíte”.
O documento também destaca a preocupação de Vorcaro com a privacidade durante a estadia. Ele afirma: “Leo, preciso que você dê atenção na questão da segurança. Quando você sai do elevador, dá pra ver tudo”. Vorcaro ainda acrescenta: “pode ser o Papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista”.
O senador Ciro Nogueira está entre os investigados na Operação Compliance Zero e já foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo STF. Por outro lado, Hugo Motta não está sob investigação pela Polícia Federal. Em declarações à imprensa, Motta se mostrou tranquilo a respeito da situação:
“Tenho tranquilidade sobre as minhas relações e também que as investigações possam acontecer. Não vejo problema. Um evento corporativo, um encontro jurídico, que inclusive já participei esse ano como presidente da Câmara. Não vejo problema algum”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também se manifestou em uma sessão do plenário, respondendo a uma reportagem que afirmava que ele teria recebido U$ 30 milhões de Vorcaro por meio de uma conta no exterior.
“Jamais recebi aqueles valores ou outros quaisquer. No Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja. São alegações inteiramente falsas”.
Alcolumbre ainda classificou a acusação como calúnia e declarou que tomará medidas para identificar os autores das denúncias.
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