O IPCA de maio fechou em 0,58%, com alimentos respondendo por metade da alta. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,72%, superando o limite tolerado pelo governo.
A inflação de maio ficou em 0,58%, sendo impulsionada principalmente pelos preços dos alimentos, que representaram metade desse aumento. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) demonstrou uma perda de força em comparação aos dois meses anteriores, mas ainda assim, o acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, ultrapassando o limite de tolerância estabelecido pelo governo.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, variando entre 1,5% a 4,5%.
Desde o início de 2025, a avaliação da meta de inflação considera os 12 meses anteriores e não apenas o final do ano. O teto é considerado descumprido se a inflação ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. A última vez que o acumulado anual ficou acima do limite foi em outubro de 2025, quando estava em 4,68%.
Em relação à inflação mensal, os dados de 2026 são os seguintes:
Maio: 0,58%
Abril: 0,67%
Março: 0,88%
Fevereiro: 0,70%
Janeiro: 0,33%
O resultado de maio superou a expectativa do mercado, que indicava uma inflação de 0,48% para o mês. Para o final de 2026, as projeções do mercado apontam para uma inflação de 5,11%.
O grupo de alimentação e bebidas teve a maior alta, subindo 1,33% e impactando o IPCA em 0,29 ponto percentual, correspondendo assim a metade da inflação de maio. Os itens que mais influenciaram esse índice foram:
Batata-inglesa: +44,69% (impacto de 0,09 p.p.)
Tomate: +20,62% (impacto de 0,06 p.p.)
Carnes: +1,39% (impacto de 0,04 p.p.)
Cebola: +16,80% (impacto de 0,02 p.p.)
Maio foi o terceiro mês consecutivo com a inflação dos alimentos acima de 1%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o grupo alimentação e bebida teve um aumento de 4,81%. A taxa de inflação de 1,33% em maio é a mais alta desde 2015.
“A alta dos alimentos é explicada pela menor oferta de alguns produtos e pelo preço do frete”, afirmou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.
Além disso, a alta nos preços dos fertilizantes, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, também pode ter afetado os custos de produção, sendo repassada ao consumidor. Se o grupo de alimentos fosse excluído do cálculo do IPCA, a inflação de maio teria sido de 0,37%.
Outro fator que pressionou a inflação foi o grupo habitação, que subiu 1,22%, com destaque para a energia elétrica, que teve alta de 3,67%. Essa variação impactou em 0,15 ponto percentual o índice. A implementação da bandeira tarifária amarela, que representa um acréscimo na conta de luz, foi um dos fatores que contribuíram para esse aumento.
No entanto, o grupo transportes apresentou deflação de 0,46% no mês, devido à queda nos preços dos combustíveis, que recuaram 1,95%. O etanol teve uma redução de 6,20%, o óleo diesel de 2,34% e a gasolina de 1,46%.
O gás veicular, por outro lado, teve um aumento de 5,81% em maio.
O índice de difusão, que aponta a distribuição da inflação, mostrou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços em maio. O grupo de serviços registrou uma inflação de 0,40%, totalizando 5,97% em 12 meses, enquanto os preços monitorados subiram 0,43% no mês e 5,85% em 12 meses.
O IPCA mede o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos, com coleta de preços realizada em diversas regiões metropolitanas e capitais do Brasil.
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