Vacina contra chikungunya avança com consórcio global e R$ 91 mi

Claudio Vasconcelos
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O Instituto Pasteur lidera projeto internacional para acelerar testes clínicos da vacina MV-CHIK. Iniciativa recebe R$ 91,8 milhões da União Europeia e inclui o Brasil entre os parceiros.

Um consórcio internacional liderado pelo Instituto Pasteur, da França, anunciou o lançamento do projeto ACT-CHIK (Accelerating Clinical Trials for CHIKungunya Vaccine in Africa). A iniciativa, que se estenderá por quatro anos, busca acelerar o desenvolvimento clínico de uma vacina contra a chikungunya e fortalecer a produção de imunizantes no continente africano.

O projeto recebeu um financiamento de 15,3 milhões de euros (aproximadamente R$ 91,8 milhões) do programa Global Health EDCTP3, vinculado à União Europeia. O principal objetivo é avançar no desenvolvimento da MV-CHIK, uma vacina baseada no vírus do sarampo, que foi originalmente desenvolvida pelo Instituto Pasteur. Para isso, pesquisadores realizarão um ensaio clínico de fase Ib/III em países como Ruanda, Quênia, Nigéria e Senegal.

Enquanto o ensaio avança, o consórcio também pretende preparar a transferência da tecnologia de fabricação do imunizante para um produtor africano, contribuindo assim para a autonomia do continente na produção de vacinas.

A chikungunya é uma doença transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que causa febre alta, dores intensas nas articulações, fadiga, dor de cabeça e erupções cutâneas. Em alguns casos, as dores articulares podem se prolongar por meses ou até anos.

Nos últimos 20 anos, o número de casos registrados de chikungunya na África aumentou consideravelmente, embora a doença ainda seja frequentemente subdiagnosticada e subnotificada. Mudanças climáticas também estão ampliando a área de distribuição dos mosquitos transmissores, elevando o risco de surtos em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil.

“A chikungunya continua sendo uma doença negligenciada na África, apesar de seu crescente impacto. O projeto ACT-CHIK representa uma oportunidade única para gerar dados clínicos essenciais nas populações que mais precisam dessa vacina”, afirmou Sotiris Missailidis, coordenador do Projeto ACT-CHIK no Instituto Pasteur.

A MV-CHIK é uma vacina viva atenuada e recombinante, desenvolvida a partir da cepa Schwarz do vírus do sarampo. Anteriormente, seis estudos clínicos de fases I e II, realizados na Europa, nos Estados Unidos e em Porto Rico, envolveram cerca de 600 adultos e mostraram resultados satisfatórios em termos de segurança, tolerabilidade e resposta imunológica.

O ensaio clínico do ACT-CHIK planeja recrutar 940 participantes, incluindo adultos de 18 a 55 anos, adolescentes de 12 a 17 anos e crianças de 5 a 11 anos. Os voluntários virão tanto de áreas endêmicas quanto não endêmicas dos quatro países envolvidos. O objetivo é gerar dados que permitam avaliar o desempenho da vacina em populações africanas, incluindo as faixas etárias mais jovens.

Além dos estudos clínicos, o projeto inclui uma estratégia voltada à fabricação de vacinas na África. A proposta é preparar a transferência da tecnologia de produção da MV-CHIK para o Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal, que é reconhecido como o único fabricante de vacinas do continente com pré-qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também participa da iniciativa, sendo responsável pela preparação dos materiais utilizados nos ensaios clínicos e contribuindo com sua experiência na produção de vacinas durante o processo de transferência tecnológica.

O projeto tem como meta apoiar o plano da União Africana de fabricar localmente 60% dos imunizantes utilizados no continente até 2040.

O consórcio que compõe o ACT-CHIK reúne instituições de sete países: França, Ruanda, Senegal, Brasil, Nigéria, Quênia e Coreia do Sul. Entre as entidades participantes estão o Instituto Pasteur, a Universidade de Ruanda, o Instituto Pasteur de Dakar, a Fiocruz, o Hospital Universitário Especializado de Irrua, o Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (KEMRI) e o Instituto Internacional de Vacinas (IVI).

Os coordenadores do projeto destacam que a iniciativa visa não apenas avaliar uma nova vacina contra a chikungunya, mas também fortalecer a capacidade de pesquisa clínica, regulamentação e fabricação de imunizantes no continente africano. O projeto terá duração de 48 meses, de maio de 2026 a abril de 2030.

“Ao trabalharmos juntos além-fronteiras, estamos contribuindo para um futuro em que a África lidere o desenvolvimento e a implementação de soluções para seus próprios desafios de saúde”, destacou Sylvanus Okogbenin, do Hospital Universitário Especializado de Irrua.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.