Em dois anos, o Nordeste viveu uma virada: a fome caiu de 21% para 4,8% dos domicílios. Mais de 17 milhões de pessoas alcançaram segurança alimentar entre 2022 e 2024.
Entre 2022 e 2024, aproximadamente 9,6 milhões de pessoas deixaram de passar fome na Região Nordeste, conforme dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). Ao mesmo tempo, 17,8 milhões de indivíduos saíram de níveis variados de insegurança alimentar e nutricional (InSAN) e alcançaram a segurança alimentar e nutricional (SAN). Neste período, a InSAN caiu de 21% para 4,8%, enquanto o percentual de domicílios que vivem em SAN aumentou de 32% para 65,2%.
Esses dados são fruto de um levantamento que compara informações da Rede Penssan de 2022 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024.
“Em 2023, chegamos ao governo com a missão de tirar o país do Mapa da Fome novamente. Em 2022, havia 33,1 milhões de pessoas em situação de fome no país e em tempo recorde conseguimos reverter esse quadro. Em 2024, o país atingiu a menor taxa da história para a insegurança alimentar grave, levamos dois anos para reconquistar uma marca que, no passado, levou dez anos (2003-2013) de construção de políticas públicas para ser alcançada”, afirmou Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS.
A Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) destaca que esses resultados refletem os efeitos do aprimoramento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), que completa 20 anos em 2026.
Os dados também mostram que o índice de domicílios em insegurança alimentar leve caiu de 29,6% para 22,5% entre 2022 e 2024. Para a insegurança alimentar moderada, a redução foi de 17,4% para 7,5%. A EBIA classifica a insegurança leve como a preocupação com a falta de alimentos no futuro, a insegurança moderada como a redução na qualidade da alimentação e a insegurança grave como a situação de fome.
Valéria Burity enfatiza que os números demonstram a importância da integração entre políticas públicas para gerar resultados efetivos à população por meio do Sisan. Ela explica que o sistema, retomado em 2023 após um processo de desmonte, une ações de diferentes setores e níveis de governo, além da participação da sociedade civil, para garantir o direito à alimentação adequada.
“Sair do Mapa da Fome da FAO significa que, segundo dados da FAO, menos que 2,5% da população brasileira está em situação de subalimentação. Os resultados são frutos da implementação articulada de uma estratégia nacional estruturada de enfrentamento da fome no âmbito do Sisan”, reforçou a secretária.
A reestruturação do sistema resultou em um aumento significativo na adesão de municípios, passando de 536, no final de 2022, para 2.297 em junho de 2026, conforme dados da SECF/MDS. Todos os estados e o Distrito Federal já fazem parte do sistema. No Nordeste, a adesão aumentou quase 5,5 vezes: de 194 municípios em 2022 para 1.060 em 2026.
“Os municípios que aderem ao Sisan fortalecem sua capacidade de gestão e articulação para garantir o direito à alimentação adequada. O sistema contribui para organizar políticas públicas, apoiar a produção de alimentos e criar as condições necessárias para que os alimentos sejam produzidos, distribuídos e cheguem à população”, declarou a secretária.
O Sisan coordena diversos instrumentos de planejamento, como o Plano Brasil Sem Fome e o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan), integrando várias políticas, incluindo Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do IBGE, revelam a ampliação das políticas públicas de segurança alimentar no Nordeste. Em 2024, 52% dos municípios contavam com Conselhos Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e 29% com Câmaras Intersetoriais de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).
Além disso, 75% dos municípios desenvolvem ações para promover a alimentação adequada e saudável, e 81% oferecem benefícios eventuais a famílias em situação de vulnerabilidade. A região também conta com 400 restaurantes populares, 771 cozinhas comunitárias, 73 bancos de alimentos e 228 centrais de recebimento da agricultura familiar.
O Sisan é estruturado em três pilares principais: participação social, coordenação governamental e pactuação federativa, com a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN) definindo as prioridades.
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



