Protestos de professores agitam a Cidade do México antes da abertura do Mundial. Lula compara manifestações ao período Dilma e promete conversa com Sheinbaum.
Na véspera da abertura da Copa do Mundo na Cidade do México, a situação se torna preocupante com os protestos de professores que reivindicam aumento salarial. Desde a semana passada, um grupo dissidente do sindicato dos professores, a CNTE, está em greve e ocupa as ruas da capital mexicana diariamente.
Nesta quarta-feira (10), o presidente Lula anunciou que fará uma ligação para a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, para discutir a situação. Lula comparou as manifestações no México com os protestos que ocorreram antes do impeachment de Dilma Rousseff, em julho de 2013. Ele sugeriu que uma possível interferência externa poderia estar influenciando os acontecimentos atuais.
“Agora mesmo, no México, está acontecendo um pouco daquilo que aconteceu aqui em 2013. Todo mundo está lembrado de que uma simples reivindicação de R$ 0,20 de aumento do transporte foi o pretexto para que a direita tomasse conta das ruas utilizando o verde e amarelo. Então, a minha conversa com a Claudia é porque eu acho que isso está acontecendo no México agora. E eu, às vezes, acho que tem o dedo de alguém que talvez nem seja mexicano.”
A declaração de Lula foi feita durante a sétima Reunião Plenária do “Conselhão”, o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
Em resposta, Claudia Sheinbaum se dirigiu ao público, afirmando que “está tudo sobre controle” para a abertura da Copa do Mundo 2026.
Durante a reunião em Brasília, o “Conselhão” reuniu autoridades governamentais, representantes da sociedade civil e empresários para discutir as metas de desenvolvimento nacional até 2035 e políticas sustentáveis. Em suas falas, Lula também criticou a possibilidade de um novo tarifaço do governo dos Estados Unidos, que pretende aplicar uma taxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros como punição por práticas comerciais que consideram “desleais”, além de questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
“Porque essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar, por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui pros trabalhadores brasileiros. Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor financeiro não sei das quantas impor multa por conta do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas? E que nós ainda estamos como um jogador cortando só um pedacinho aqui do lado? Será que eles não se dão conta de que nós, nesses três anos e meio, diminuímos o desmatamento em todos os biomas brasileiros?”, questionou o presidente.
A nova tarifa é resultado de uma investigação iniciada em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que concluiu que as políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano. O Brasil agora tem até o dia 15 de julho para fechar um acordo tarifário, conforme estabelecido pela representação comercial dos EUA para as negociações.
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