Cinema negro sergipano ganha força com filmes sobre cultura quilombola

Rafael Ramos
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O Instituto EGBÉ LAB desenvolve telefilme e longa afrofuturista com raízes na tradição quilombola da Mussuca, em Laranjeiras. Os projetos unem ancestralidade, memória e preservação ambiental nas telas.

A equipe do Instituto EGBÉ LAB está trabalhando em projetos inovadores que fortalecem o cinema negro sergipano. Um dos destaques é um telefilme que tem como base a tradição quilombola da meladinha, na comunidade da Mussuca, em Laranjeiras (SE). Além disso, um longa-metragem afrofuturista está em desenvolvimento, abordando temas como ancestralidade, memória e preservação ambiental.

No mês de maio, as cineastas Luciana Oliveira e Carolen Meneses participaram de consultorias de roteiro e direção. Essas consultorias foram essenciais para aprofundar as narrativas e desenvolver a linguagem cinematográfica de suas obras.

O EGBÉ LAB, realizado pelo Instituto EGBÉ – Cultura e Educação Afro-brasileira, contou com a participação de profissionais respeitados. A roteirista cubana Xenia Rivery, ex-coordenadora da Cátedra de Roteiro da Escuela Internacional de Cine y Televisión, orientou as cineastas nas consultorias de roteiro. Já a cineasta Everlane Moraes, que tem sua obra exibida em festivais como Sundance e Rotterdam, acompanhou o processo de direção e construção da linguagem cinematográfica.

“Foi fundamental esses momentos de consultorias. Tive a oportunidade de voltar com profundidade às questões que permeiam o roteiro, o que ainda precisa ser maturado e o tempo necessário. Tanto para mim, quanto para meus roteiristas e produtores executivos deste filme, foi um processo intenso e bonito, de afeto e foco no trabalho”, afirmou Luciana Oliveira.

O telefilme, intitulado Samba de Celebração, é dirigido por Luciana Oliveira e aborda a tradição da meladinha, uma celebração que ocorre após o nascimento de uma criança na comunidade quilombola da Mussuca. A história gira em torno de Alice, uma mulher grávida que precisa decidir se realizará ou não a festa tradicional, explorando temas como maternidade, pertencimento, memória e continuidade cultural.

Por outro lado, Abya Yala: Raízes do Futuro, sob a direção de Carolen Meneses, narra a história de uma cidadã abya-yalense do ano 3000 que viaja no tempo para recuperar a semente da única árvore luminosa, essencial para regenerar a flora de seu tempo. Ao chegar em 2028, ela deve convencer uma de suas ancestrais sobre a importância de sua escolha para o futuro da humanidade.

Esse projeto utiliza a ficção especulativa para discutir temas como crise climática, território, ancestralidade e os futuros negros que podem ser construídos a partir do Nordeste brasileiro. Durante o EGBÉ LAB, Carolen Meneses aprofundou aspectos estruturais do roteiro e o desenvolvimento das personagens.

“Durante as consultorias do EGBÉ LAB, avançamos no amadurecimento dos caminhos estruturais do roteiro, mas, principalmente, aprofundamos a reflexão sobre a jornada das personagens”, destacou Carolen.

O processo de desenvolvimento dos projetos continuará em agosto, com uma atividade aberta promovida pelo Instituto EGBÉ. Nessa ocasião, as diretoras apresentarão ao público os aprendizados e reflexões obtidos durante o laboratório.

Samba de Celebração e Abya Yala: Raízes do Futuro, apesar de seus universos distintos, compartilham um foco em memória, ancestralidade e transformação social. Esses projetos evidenciam a diversidade temática e estética do cinema negro produzido em Sergipe, revelando as diferentes trajetórias de realizadoras negras no estado.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.