Geriatria não é só para idosos: veja por que cuidar da saúde antes dos 60

Rafael Ramos
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Especialista alerta que acompanhamento geriátrico deve começar cedo, como estratégia preventiva. Objetivo é garantir autonomia e qualidade de vida no envelhecimento.

Ainda é comum que muitos associem o médico geriatra apenas ao cuidado de idosos em condições avançadas. Contudo, o Dr. Leonardo Lopes, coordenador da pós-graduação em Geriatria da Afya Educação Médica São Paulo, afirma que o acompanhamento geriátrico pode e deve começar antes mesmo do surgimento de limitações significativas.

Esse cuidado atua como uma estratégia preventiva, visando garantir mais autonomia, independência e qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

Segundo o especialista, não existe uma idade exata para iniciar esse acompanhamento. A recomendação deve levar em conta as necessidades, condições de saúde e objetivos de cada paciente. “Muita gente acredita que o geriatra deve ser procurado apenas quando surgem problemas mais graves ou perda importante de autonomia. No entanto, esse cuidado pode começar antes, focando na prevenção e na promoção da qualidade de vida”, explica.

Assim como a pediatria se dedica a um grupo etário específico, a geriatria é voltada ao acompanhamento da população idosa, reconhecida no Brasil a partir dos 60 anos. Entretanto, muitas condições que afetam a saúde nesta fase começam a se desenvolver décadas antes, durante a vida adulta. Portanto, o acompanhamento preventivo e o controle adequado de fatores de risco são essenciais para reduzir complicações futuras e promover um envelhecimento saudável.

O geriatra, diferente de outras especialidades que se concentram em órgãos específicos, avalia o paciente de forma integral, levando em consideração fatores físicos, cognitivos, emocionais e sociais. Esse especialista acompanha as mudanças naturais do envelhecimento e ajuda a identificar precocemente alterações que podem impactar a rotina e a funcionalidade ao longo dos anos.

Entre os sinais que indicam a necessidade de buscar um geriatra estão esquecimentos frequentes, alterações de memória, quedas recorrentes, perda de equilíbrio, diminuição da força muscular e dificuldades em realizar atividades diárias. Além disso, mudanças de humor, isolamento social, sintomas depressivos e dificuldades relacionadas ao sono, alimentação ou mobilidade também são indicadores importantes.

O crescimento da população idosa no Brasil reforça a relevância desse cuidado. Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que o país já conta com mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando cerca de 15,6% da população total. A expectativa é que esse número cresça rapidamente nas próximas décadas.

Além do acompanhamento clínico, o geriatra também desempenha um papel fundamental na prevenção e no tratamento de condições comuns no envelhecimento, como demências, sarcopenia, osteoporose, insônia, incontinência urinária, depressão, doenças cardiovasculares e respiratórias. O trabalho do geriatra geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, colaborando com fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde.

Outro aspecto importante da geriatria é a avaliação do uso de medicamentos, uma situação comum entre os idosos. O consumo excessivo ou inadequado de remédios pode aumentar o risco de efeitos colaterais, quedas, confusão mental e perda de independência.

“O envelhecimento saudável depende de acompanhamento contínuo e de hábitos construídos ao longo da vida. Quanto mais cedo começamos a cuidar da saúde de forma preventiva, maiores são as chances de chegar à terceira idade mantendo autonomia, bem-estar e qualidade de vida”, conclui o Dr. Leonardo.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.