Paraibano de alma nordestina, Flávio José tem uma história de amor construída há mais de três décadas com Aracaju e com o Forró Caju — e essa relação só fica mais bonita com o tempo.
Tem artista que não precisa de apresentação — precisa de volume alto e espaço pra dançar. Flávio José é exatamente esse tipo de nome. Natural da Paraíba, ele construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura nordestina e pela defesa do forró autêntico, aquele que vem do peito e chega na alma. Influenciado por gigantes como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Trio Nordestino, o cantor e compositor se consolidou como um dos principais nomes da música regional brasileira, reunindo um repertório que atravessa gerações e resiste ao tempo com a força de quem sabe de onde veio.
Canções como Espumas ao Vento, Tareco e Mariola, A Natureza das Coisas e Caboclo Sonhador tornaram-se parte da memória afetiva de milhares de nordestinos — e é justamente essa memória que ele aponta como o segredo para a renovação constante do seu público. “Eu sempre digo que os jovens acompanham o meu trabalho muito mais pela memória afetiva. Muitos chegam para mim e dizem: ‘Meu pai fazia um churrasco e só tocava Flávio José’, ou ‘quando a gente viajava de carro, tinha que tocar Flávio José’. Então, isso é o que vem mantendo os jovens acompanhando o meu trabalho”, afirmou o artista com a simplicidade e o calor que marcam sua personalidade.
A relação de Flávio José com Aracaju se entrelaça com a própria história do Forró Caju. Em 1993, o artista integrou a programação inaugural da festa ao lado de nomes como Elba Ramalho, participando de um momento histórico que ajudou a transformar o evento em uma das maiores celebrações juninas do Nordeste. Desde então, manteve uma presença constante na capital sergipana, construindo ao longo de mais de três décadas uma forte identificação com o público aracajuano e com as tradições culturais da cidade. “Lembranças maravilhosas. Era um São João um pouco diferente, com muita participação do público, aquela massa na praça. Tenho muitas lembranças boas aqui de Aracaju”, recordou com emoção genuína.
Essa trajetória de proximidade e afeto ganhou um novo e merecido capítulo em maio deste ano, quando Flávio José recebeu o título de cidadão aracajuano durante a abertura do XIX Fórum do Forró, promovido pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secult). A homenagem celebrou não apenas a relevância de sua obra para a música nordestina, mas também a relação profunda e verdadeira construída com o público aracajuano ao longo de décadas — um reconhecimento que chegou com o peso de quem já é, há muito tempo, parte da alma desta cidade.
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