Crianças e adolescentes com autismo e deficiências ganham atendimento semanal gratuito. Parceria entre Unit e PMSE amplia o Adapte Mais para filhos de praças e oficiais sergipanos.
O projeto de extensão Adapte Mais, que envolve estudantes dos cursos de Educação Física e Psicologia da Universidade Tiradentes (Unit), tem se destacado ao proporcionar atividades de integração e reabilitação motora para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências. Recentemente, o projeto ampliou suas ações através de uma parceria com a Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE), oferecendo 20 vagas exclusivas para filhos de praças e oficiais da corporação.
Desde o início do ano, as crianças atendidas participam de sessões semanais gratuitas de reabilitação e atividades psicomotoras. Enquanto isso, os pais e mães recebem suporte psicológico e acolhimento. A iniciativa foi proposta pelo capitão Salomão Santos da Silva, pai de um adolescente de 15 anos que já participa do projeto desde sua fundação, em 2017.
O capitão Salomão explicou que, no início de 2026, o Comando da PMSE criou o Núcleo de Apoio a Militares com Dependentes Assistidos, parte do Programa PróVida PMSE. O núcleo visa oferecer apoio aos policiais que têm filhos autistas ou com outras condições neurodivergentes. “O pai viu a relevância desse projeto e levou para apresentar lá na Polícia Militar, e eles gostaram muito do projeto”, afirmou a professora Lisane Teixeira Dantas, coordenadora do Adapte Mais e docente do curso de Educação Física.
A professora também destacou a importância de identificar os pais com crianças que necessitam de suporte. “O nosso projeto é para a comunidade e sobrevive de alunos. Por isso, a contrapartida da polícia é que ela nos envie os alunos para serem atendidos”, completou Lisane.
O capitão Salomão reforçou que a parceria nasceu da preocupação do Comando da PMSE em acolher os pais atípicos, criando políticas institucionais que buscam as melhores práticas de atendimento. Ao solicitar o apoio da professora Lisane, ele conseguiu as 20 vagas para dependentes de policiais.
Uma inscrição interna foi aberta na corporação para preencher as vagas, priorizando os casos que mais necessitam de suporte. Desde então, pais e filhos têm frequentado as sessões semanais no Campus Farolândia. Estudantes de Educação Física são responsáveis por monitorar e aplicar as atividades, enquanto os responsáveis passam por intervenções focadas na saúde mental, com acompanhamento de alunos de Psicologia sob orientação do professor Roberto Luís Barreto.
A coordenadora Lisane enfatizou que a ação reforça o papel social da universidade, envolvendo questões atuais e uma instituição pública consolidada. “O Adapte Mais é fundamental por transformar a realidade de famílias que frequentemente enfrentam a exclusão social e a falta de espaços adequados para o desenvolvimento integral de seus filhos”, afirmou.
A parceria com a PM também foi vista como uma oportunidade de retribuir o cuidado que os policiais oferecem à sociedade. A professora Jamille Figueiredo, da área de Psicologia da Unit, destacou que o atendimento a crianças com necessidades especiais pode ter um reflexo positivo na saúde mental das famílias.
O capitão Salomão manifestou a expectativa de que o conceito de “cuidado integral” proporcionado pelo projeto beneficie outros policiais, assim como ele e seu filho têm experimentado. Ele ressaltou as melhorias no desenvolvimento físico e cognitivo, além das habilidades sociais e de trabalho em equipe.
“O que posso atestar é a experiência pessoal que tive com meu filho, onde pude ver o quanto faz bem para ele. Essa é a diferença que eu espero na vida de meus colegas”, finalizou o capitão.
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