As exportações do Brasil para os Estados Unidos apresentaram uma queda de 14% em maio de 2026, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, conforme divulgou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta quarta-feira, 3 de junho. Essa diminuição é observada desde agosto do ano passado, quando começaram a ser aplicadas tarifas pelo governo dos EUA.
Apesar da queda significativa, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, afirma que ainda não é possível concluir que houve uma mudança estrutural nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Ele explica que os fluxos do comércio exterior se adaptam ao longo do tempo e dependem da composição da pauta de exportações.
“É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta, tem bens sob encomenda que sofrem choque maior, mas commodities e alimentos não, como é o caso de grande parte do perfil da pauta com Estados Unidos”, afirmou Brandão.
Brandão também destacou que o ritmo de redução nas exportações para os Estados Unidos tem diminuído ao longo dos últimos meses. Em outubro de 2025, a queda foi de 35%, em janeiro deste ano foi de 26%, e a redução foi se atenuando: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e, finalmente, 14% em maio.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que o comércio bilateral perdeu força neste último mês. Os principais números são:
• Exportações para os EUA: US$ 3,09 bilhões (-14%)
• Importações dos EUA: US$ 3,21 bilhões (-11%)
• Déficit comercial em maio: US$ 121 milhões
No acumulado de janeiro a maio de 2026, a situação comercial é a seguinte:
• Exportações: US$ 14,01 bilhões (-16%)
• Importações: US$ 15,48 bilhões (-12,6%)
• Déficit comercial: US$ 1,47 bilhão
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também caiu, passando de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio de 2026.
Enquanto isso, a China se consolidou como o principal destino das exportações brasileiras. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram 9,5%, totalizando US$ 10,5 bilhões. As importações da China aumentaram 24,2%, chegando a US$ 6,8 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões no mês.
No acumulado do ano, as exportações para a China somam US$ 43,26 bilhões, com um crescimento de 21,8%, enquanto as importações totalizam US$ 30,76 bilhões, um aumento de 4,1%. O superávit comercial no período é de US$ 15,5 bilhões.
O diretor do Mdic também apontou que a alta nos preços internacionais de combustíveis, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, contribuiu para o crescimento das exportações de derivados de petróleo. Em maio, as exportações de óleos combustíveis cresceram 75,2% em volume e 49,8% em valor.
Por outro lado, as exportações de petróleo bruto caíram 9,3% em valor e 42,1% em volume em comparação com o mesmo mês do ano passado. Brandão acredita que essa queda é pontual e não está relacionada ao imposto de exportação que foi introduzido recentemente.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil acumulou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões, um resultado superior aos US$ 24,33 bilhões do mesmo período do ano passado, impulsionado principalmente pelo aumento das exportações para a China e pelo desempenho de produtos do setor de energia e commodities.
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