Relatório dos EUA não menciona Bolsonaro em proposta de tarifas ao Brasil

Robson Alves
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No dia 1º de junho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou um relatório que não menciona a família Bolsonaro em relação à proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Essa proposta havia sido atribuída pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados à articulação de Flávio e Eduardo Bolsonaro com o governo de Donald Trump.

O relatório detalha oito frentes de acusação técnica, sendo que seis delas envolvem decisões do Judiciário brasileiro. Um dos pontos destacados é a operação do Pix, que é visto como uma vantagem competitiva desleal para empresas privadas de pagamentos digitais, como Visa e Mastercard, uma vez que o Banco Central do Brasil atua como regulador e operador do sistema.

Além disso, o USTR critica ordens judiciais brasileiras que resultam na remoção de conteúdos em plataformas americanas e na suspensão de perfis de usuários nos Estados Unidos, fazendo referência a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a moderação nas redes sociais.

No âmbito da corrupção, o relatório menciona dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que, em outubro de 2023, criticou o Brasil por não investigar adequadamente casos de suborno transnacional. O documento destaca a decisão do ministro Dias Toffoli, de setembro de 2023, que anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht, resultando na derrubada de mais de cem processos relacionados à operação Lava-Jato, considerada pelo USTR como “o maior esquema de corrupção transnacional da história”.

Outras acusações incluem a quebra de reciprocidade no mercado de etanol, a longa espera de até 109 meses para patentes biofarmacêuticas no INPI, acordos tarifários preferenciais com Índia e México, e a ineficácia na fiscalização do desmatamento ilegal no Cadastro Ambiental Rural.

Vale lembrar que a Suprema Corte dos EUA invalidou o uso de um decreto de Trump para impor tarifas por emergência nacional. Como resultado, a Casa Branca agora utiliza investigações específicas por país, conforme a Seção 301, que exige seguir ritos processuais e prazos formais. A decisão final sobre a tarifa será de responsabilidade de Trump, com prazo até 15 de julho de 2026.

O relatório classifica as políticas e práticas do Brasil como “irrazoáveis”, afirmando que elas “oneram ou restringem o comércio dos EUA”. O representante comercial Jamieson Greer mencionou que as negociações com Lula se intensificaram nas últimas semanas, mas destacou que ainda existem “divergências substanciais” nas questões levantadas.

Lula e Trump se encontraram em Washington no dia 7 de maio, onde o presidente brasileiro entregou propostas comerciais e prometeu enviar uma nova proposta em 30 dias. A conclusão da investigação ocorreu dentro desse prazo. Lula, em resposta ao anúncio, chamou-o de “intempestivo” e expressou esperança de que Trump reavalie a decisão, sugerindo que esta poderia ter ocorrido sem sua anuência. O governo brasileiro afirmou que o Pix não será objeto de negociação e que poderá acionar a Lei de Reciprocidade Econômica caso as tarifas sejam confirmadas.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.