A proposta que visa reduzir a jornada de trabalho e extinguir a escala 6×1 no Brasil enfrenta novos desafios no Senado. Embora já tenha sido aprovada na Câmara após meses de discussão, a PEC 221/2019 não será levada diretamente ao plenário e precisará passar pelas comissões da Casa, o que deve prolongar sua tramitação.
A decisão foi divulgada na terça-feira, 2 de junho de 2026, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ele argumentou que o texto precisa ser “aperfeiçoado” e não pode ser simplesmente referendado pelos senadores. Com isso, a medida retarda o avanço da proposta, que possui forte apelo popular ao alterar a jornada semanal de 44 para 40 horas e substituir a escala de trabalho de seis dias seguidos por um dia de descanso pelo modelo 5×2.
“Eu quero que a gente fique com a maturidade institucional, com o dever cívico, com a nossa consciência, e que cada um tenha o discernimento da importância da votação dessa matéria. Não pode uma rede social, um ou outro ator cobrar do Senado que a matéria chegue de manhã e que a gente vote de tarde”, declarou Alcolumbre.
A tramitação da PEC ainda será definida em uma reunião com líderes partidários e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, que está prevista para a próxima semana.
Além disso, Davi Alcolumbre também criticou o clima político em Brasília. Ele mencionou episódios recentes de confrontos no Congresso e classificou como “palanque eleitoral” a tentativa de instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master, mesmo com investigações em andamento por órgãos de controle.
O presidente do Senado apontou o excesso de polarização e afirmou que o debate político atual tem sido dominado por disputas eleitorais, o que prejudica discussões sobre temas estruturais. Segundo Alcolumbre, essa dinâmica tem influenciado negativamente as decisões do Legislativo e dificultado as discussões de longo prazo.
A PEC 221/2019, que propõe mudanças nas regras da jornada de trabalho no Brasil, é vista como uma das propostas mais significativas em tramitação no Congresso, com potencial para impactar as relações trabalhistas no país.
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