O fenômeno climático El Niño voltou a chamar a atenção de consumidores, produtores e economistas, pois pode afetar a inflação dos alimentos no Brasil. Caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, o El Niño altera o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do mundo, impactando diretamente a produção agrícola e, consequentemente, os preços dos alimentos.
Recentes análises indicam que os efeitos desse fenômeno podem ser mais intensos do que o esperado. Meteorologistas já se referem a ele como “Super El Niño” ou “El Niño Godzilla”, baseando-se em estudos de instituições como a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e a NASA.
No Brasil, os impactos variam conforme a região. No Sul, espera-se um aumento nas chuvas, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos de seca. Essa diversidade de condições climáticas afeta o calendário agrícola, reduz a produtividade e eleva os custos de produção.
“Pensando na safra brasileira, um El Niño ao longo deste segundo semestre deve gerar impactos sobre os preços dos alimentos mais intensos em 2027 do que agora, em 2026”, afirma Felippe Serigati, economista da FGV Agro.
Os produtos que tendem a ser mais afetados incluem grãos, hortaliças, frutas, leite e carnes. No caso das proteínas, o impacto é indireto: aumentos nos preços do milho e da soja elevam os custos da ração, pressionando as margens dos produtores de aves, suínos e bovinos.
Em 1º de junho, o Boletim Focus do Banco Central revisou a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, passando de 5,04% para 5,09%. A projeção para 2027 também foi ajustada, subindo de 4,01% para 4,02%.
Além dos alimentos, o El Niño pode impactar o setor elétrico. Um relatório do Santander, divulgado em 28 de maio, alertou para a possibilidade de efeitos negativos a partir do segundo semestre de 2026.
“Esperamos que as condições climáticas desempenhem um papel importante no desempenho do setor ao longo de 2026”, afirmam os analistas André Sampaio, Guilherme Lima e Francisco Paz.
Um evento mais intenso pode alterar o regime de chuvas em várias regiões da América do Sul, o que pode afetar os reservatórios das hidrelétricas brasileiras e aumentar a utilização de usinas termelétricas, que geram energia a um custo mais elevado.
Esse cenário tende a pressionar as tarifas de energia elétrica, impactando também os custos do agronegócio, que já lida com o aumento das despesas com fertilizantes e diesel. Segundo a NOAA, o fenômeno ganhou força ao longo de 2026, com o aquecimento das águas do oceano.
O El Niño, que pode atingir seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027, tem gerado preocupações, especialmente após os eventos climáticos extremos que afetaram o Brasil em anos anteriores.
Os especialistas destacam que, apesar de seus efeitos serem significativos, eles não ocorrem de maneira uniforme em todo o território nacional. No Sul, por exemplo, o fenômeno pode causar inundações e perda de produtividade, enquanto no Nordeste, a redução das chuvas pode levar à degradação das pastagens.
Para os produtores, é essencial monitorar as condições climáticas e ajustar o calendário de plantio para minimizar os riscos associados ao El Niño. O fenômeno, por si só, não é necessariamente catastrófico, mas exige atenção constante para evitar prejuízos significativos.
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