Alckmin defende Pix como patrimônio nacional em resposta a proposta dos EUA

Robson Alves
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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, se manifestou sobre a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, considerando-a “extremamente injusta” e “totalmente descabida”. Em coletiva realizada em Brasília na última terça-feira, 02 de junho, Alckmin confirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em reverter essa recomendação antes que seja formalizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Durante a coletiva, Alckmin também defendeu o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020. Ele afirmou que o Pix é um “patrimônio nacional” e que não faz parte das negociações com os Estados Unidos, pois não prejudica ninguém e traz benefícios à população.

“O Pix é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, declarou o vice-presidente.

Alckmin também criticou a presença de “sabotadores” internos que, segundo ele, tentam prejudicar o país por interesses eleitorais. Ele expressou preocupação com o impacto dessa postura no emprego, na renda e nas empresas brasileiras.

Sobre as alegações dos Estados Unidos sobre o desequilíbrio nas transações comerciais, ele destacou que a balança comercial é favorável aos EUA, com um superávit de US$ 40 bilhões para os norte-americanos no ano anterior. Alckmin ressaltou que a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre importações dos EUA é de apenas 3,1%, enquanto os produtos americanos se beneficiam de alíquotas zero em grande parte das exportações.

O vice-presidente também mencionou o protecionismo do governo Trump, especialmente em setores como o açúcar, onde o Brasil enfrenta altas tarifas de importação sobre excedentes.

Alckmin abordou a questão do desmatamento ilegal, ressaltando os avanços do Brasil na agenda climática. Ele afirmou que o país está registrando a maior queda no desmatamento nos últimos anos, com uma redução de mais de 50% na Amazônia. O Brasil se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2030.

O vice-presidente enfatizou que o governo brasileiro está focado em intensificar o diálogo técnico com os Estados Unidos, através de um grupo de trabalho bilateral, para tentar reverter ou mitigar a taxação até o prazo final de 15 de julho. Ele lembrou que o diálogo já está em andamento e que o presidente Lula teve encontros recentes com Trump.

Os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estarão presentes em um encontro em Paris com o representante de Comércio dos EUA, embaixador Jamieson Greer, no dia 3 de junho.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.