EUA criticam o Pix e defendem empresas de pagamentos dos Estados Unidos

Claudio Vasconcelos
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O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) atacou o sistema de pagamentos brasileiro conhecido como Pix. Segundo o USTR, a tecnologia nacional estaria prejudicando “injustamente” as empresas americanas que atuam no setor de pagamentos eletrônicos, como MasterCard, Visa e Whatsapp Pay.

O relatório afirma que as políticas adotadas pelo Brasil, que conferem tratamento preferencial ao Pix, são injustas e discriminatórias. “É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas”, diz o documento, que ressalta que o Brasil estaria beneficiando exclusivamente sua “campeã nacional”, o Pix, desenvolvido pelo Banco Central.

“O papel duplo do Banco Central do Brasil como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses”, afirmou a conselheira jurídica geral do USTR, Jennifer Thornton, em referência às práticas que, segundo ela, favorecem o sistema brasileiro em detrimento das empresas dos EUA.

O relatório foi divulgado na noite dessa segunda-feira, 1º de junho de 2026, e é resultado de uma investigação que teve início há um ano, durante a administração de Donald Trump. O documento sugere, entre outras medidas, a implementação de uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

O governo brasileiro e as empresas afetadas terão até o dia 15 de julho para responder ao relatório final do USTR. Após essa data, os Estados Unidos poderão adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

O USTR também destacou que o Banco Central exige que instituições financeiras com mais de 500 mil contas utilizem o Pix, além de determinar que o método de pagamento gratuito seja exibido com destaque nos sites e aplicativos das instituições financeiras.

“O Banco Central incentiva o uso do Pix em detrimento de outros serviços, exigindo que as instituições participantes ofereçam o Pix gratuitamente a usuários”, acrescentou a investigação.

De acordo com Jennifer Thornton, o Pix impõe um ônus ao comércio americano, gerando custos adicionais para os provedores de serviços dos EUA e forçando-os a promover um concorrente brasileiro sem qualquer compensação.

A investigação sobre o sistema de pagamento brasileiro foi iniciada em 15 de julho de 2025, quando o governo Trump anunciou a abertura do processo. As críticas ao Pix estão ligadas à sua concorrência com o Whatsapp Pay e com bandeiras de cartões de crédito dos Estados Unidos, que vêm sendo pressionadas para que o governo tome medidas contra o sistema brasileiro.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.