Senado Debaterá Fim da Escala 6×1 com Três Propostas em Análise

Rafael Ramos
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Solenidade de posse dos senadores durante primeira reunião preparatória para 56ª Legislatura. À mesa, presidente da Mesa, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O Senado agora se prepara para discutir o futuro da escala trabalhista 6×1, com três propostas em análise. Após a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pela Câmara dos Deputados, o próximo passo é a avaliação pelos senadores. Esse tema gerou uma corrida entre líderes governistas e da oposição para determinar qual texto terá prioridade na tramitação e servirá como base para o avanço da discussão na Casa.

Entre as propostas disponíveis, além da versão aprovada pelos deputados, há uma PEC alternativa apresentada pela oposição na semana passada e um texto mais antigo, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que é considerado mais difícil de avançar.

A definição sobre qual proposta ganhará destaque ficará a cargo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que deverá articular com os principais líderes partidários nos próximos dias. Essa decisão não apenas impactará o ritmo de análise, mas também o formato final da nova jornada trabalhista que será aprovada pelos senadores.

Até o último domingo (31), a PEC aprovada pela Câmara na quarta-feira (27) ainda não havia sido encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Embora haja a expectativa de que ela avance no Senado, isso pode ocorrer com menos agilidade comparada à Câmara.

Alcolumbre tem mantido uma relação mais tensa com o governo, especialmente após a rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias ao Supremo. Contudo, existe a intenção do governo de reaproximar-se gradualmente. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), tem atuado como um dos articuladores dessa aproximação.

A PEC da oposição foi oficialmente apresentada na quinta-feira (28) e já recebeu despacho à comissão no mesmo dia. O texto de Paulo Paim, por sua vez, passou pela CCJ e aguarda deliberação do plenário desde dezembro do ano passado.

Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ do Senado, manifestou que pretende priorizar a proposta da Câmara, argumentando que ela foi amplamente debatida e obteve expressivo apoio dos deputados. No entanto, ele também reconheceu a iniciativa de Paulo Paim como pioneira no tema e que, se possível, deveria ser priorizada.

Até o momento, Alcolumbre não se comprometeu com um cronograma de análise para essas propostas e não fez declarações públicas sobre o tema.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto considera que a votação expressiva na Câmara fortalece o governo e aumenta a pressão para que o Senado avance rapidamente com a nova proposta. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esperam que a tramitação seja concluída antes do recesso parlamentar de julho.

A proposta que veio da Câmara sugere a redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas, em até 14 meses após a promulgação da medida. O fim da escala 6×1 e a implementação de dois dias de descanso semanais para os trabalhadores ocorrerão 60 dias após a aprovação da PEC nas duas Casas.

O Senado já aprovou a realização de uma sessão temática para discutir o assunto em maior profundidade, mas ainda não há uma data definida.

A oposição, por sua vez, busca utilizar sua PEC alternativa como uma ferramenta de negociação. Parlamentares do setor produtivo defendem a ampliação do período de transição para a nova legislação e a flexibilização da definição das jornadas, permitindo acordos entre empregados e empregadores, assim como a remuneração por hora trabalhada.

Outra possibilidade em discussão é a fusão de partes das propostas durante a tramitação, o que poderia abrir mais espaço para alterações no texto aprovado pela Câmara. Essa estratégia, no entanto, contraria a intenção do governo de reduzir o tempo de implementação da nova medida.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.