BRASIL — Pesquisa sobre um painel de vigilância revela que a polícia chinesa reúne dados detalhados sobre estrangeiros, incluindo jornalistas, e usa sistemas automatizados para rastrear movimentos e relacionamentos.
- Painel acessado por pesquisador continha fotos de passaporte, números de celular, vistos e datas de nascimento.
- Sistema ligado ao Departamento de Segurança Pública de Zhangjiakou integra câmeras, bilhetes de trem, pagamentos e catracas de reconhecimento facial.
- Algoritmos classificam certos repórteres como “rastreáveis” e disparam alertas à polícia quando entram em uma jurisdição.
O que foi encontrado
Um pesquisador que usa o pseudônimo NetAskari encontrou, ao abrir uma seção chamada “Consulta de arquivos de jornalistas”, um banco de dados com registros de quase todos os jornalistas estrangeiros baseados em Pequim por volta de 2021. Os dados incluíam fotos de passaporte, números de celular privados, detalhes de vistos e datas de nascimento.
Reportagem do g1 trouxe a apuração sobre esse painel e o funcionamento do sistema: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/05/22/china-desenvolve-sistema-de-vigilancia-para-monitorar-estrangeiros-no-pais.ghtml
Como o sistema opera
O painel demonstrado foi desenvolvido para o Departamento de Segurança Pública de Zhangjiakou, em Hebei. Embora a versão acessada fosse uma demonstração, ela estava populada com dados reais e mostra uma integração ampla entre sensores e bases de dados.
O sistema não só correlaciona imagens de rua, mas também registra, por exemplo, o vagão e o número do assento de trens vindos de grandes cidades e sincroniza fotos de catracas de estações de esqui com o mecanismo de rastreamento.
Rastreamento e análise de redes
Além de registros individuais, o software gera automaticamente gráficos de rede que mapeiam quem interage com quem e por quanto tempo, usando frequências de aparição em vídeo e outros sinais digitais.
Empresas e contratos citados na apuração mostram investimento contínuo: a Hisense registrou em 2019 uma patente para modelos holísticos de relacionamento, e, em 2025, o Departamento de Segurança Pública de Putao, em Xangai, contratou por 200 mil dólares um “sistema holístico de arquivo de pessoal”.
Impacto sobre jornalistas estrangeiros
O sistema dá atenção especial a estrangeiros, sobretudo cidadãos dos países do grupo Five Eyes. Certos jornalistas recebem uma etiqueta de “rastreável” que pode acionar alertas automáticos para a polícia ao entrarem em determinada jurisdição, reduzindo a margem de manobra para trabalho investigativo independente.
“Foi mais interessante do que chocante. Quando você trabalha como jornalista na China, basicamente presume que está sempre no radar deles. Mas o que me surpreendeu foi simplesmente a facilidade com que consegui acessar esse sistema altamente sensível.” — NetAskari, pesquisador de cibersegurança
“A ideia é simplesmente processar o máximo de dados possível do maior número possível de sensores em tempo real.” — NetAskari, pesquisador de cibersegurança
“Eles não precisam mais enviar dois ou três carros para te seguir.” — NetAskari, pesquisador de cibersegurança
“Nas democracias ocidentais, há debates. Na China, esses debates simplesmente não existem. A polícia e o Ministério da Segurança do Estado fazem o que querem com relativamente pouca supervisão.” — NetAskari, pesquisador de cibersegurança
O caso mostra a transição de uma vigilância baseada em câmeras isoladas para um controle social integrado por dados e algoritmos, com implicações diretas para quem trabalha com informação no país.
Acompanhe mais sobre tecnologia na editoria de Tecnologia.
Crédito da imagem: Reprodução / g1
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



