Uso excessivo de IA pode afetar criatividade, atenção e memória, dizem estudos

William Kevim
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Pesquisas recentes indicam que a dependência exagerada de ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, está ligada a perdas em habilidades cognitivas — entre elas criatividade, capacidade de atenção, pensamento crítico e memória. Especialistas ouvidos apontam riscos, mas também destacam que os efeitos dependem do modo como a tecnologia é utilizada.

O que mostram os estudos

Uma meta-análise citada na literatura reuniu 57 estudos com mais de 411 mil adultos e não encontrou evidências de uma “demência digital” generalizada; em vez disso, apontou que o uso de tecnologia pode reduzir o risco de comprometimento cognitivo. Ainda assim, trabalhos separados assinalam problemas pontuais: usuários que dependem de GPS tendem a perder parte da memória espacial, e o chamado “efeito Google” descreve a tendência de não memorizar informações facilmente acessíveis on-line.

Pesquisadores alertam que a IA representa um nível de terceirização cognitiva sem precedentes, capaz de substituir não apenas a execução de tarefas, mas processos mentais que exercitam o raciocínio e a criatividade.

Opiniões de especialistas

Adam Greene, professor de neurociência e diretor do Laboratório de Cognição Relacional da Universidade Georgetown, afirma que, em termos gerais, há motivo para preocupação: se o cérebro deixa de praticar certos tipos de pensamento, a habilidade correspondente tende a enfraquecer.

Jared Benge, neuropsicólogo clínico da Escola de Medicina Dell da Universidade do Texas, ressalta que a tecnologia não é intrinsecamente benéfica ou prejudicial. Segundo ele, quando a IA reduz sobrecarga mental e libera atenção para tarefas mais relevantes, pode haver ganhos cognitivos. O balanço depende do uso.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia descreveram o fenômeno da “rendição cognitiva”, em que pessoas passam a confiar mais nas respostas da IA do que em seu próprio julgamento. Um estudo citado indica que usuários frequentes de IA exibiram desempenho inferior em um teste padrão de pensamento crítico.

Hank Lee, doutorando na Universidade Carnegie Mellon e coautor de pesquisa da Microsoft Research, aponta que o risco de aceitar respostas sem criticá-las cresce quando o usuário tem pouco conhecimento sobre o assunto em questão.

Como reduzir os riscos

Especialistas consultados propõem medidas práticas para evitar que o uso de IA fragilize habilidades mentais. Entre as recomendações estão:

  • Não aceitar respostas da IA sem checagem: elaborar primeiro uma opinião própria e usar a ferramenta para confrontar ou refinar esse raciocínio.
  • Introduzir mais esforço no processo de pesquisa: fazer anotações, preferivelmente manuscritas, pedir ao sistema que gere perguntas ou flashcards e tentar resolver problemas antes de recorrer ao chatbot.
  • Dedicar mais tempo à página em branco em tarefas criativas, registrando ideias iniciais antes de solicitar auxílio da IA, para preservar o exercício criativo do cérebro.
  • Escolher conscientemente caminhos mais lentos em vez de recorrer imediatamente a resumos automáticos, permitindo certo desconforto ou tédio que favorece o pensamento profundo.

Barbara Oakley, professora emérita de engenharia da Universidade de Oakland, e outros pesquisadores citados sugerem que essas práticas ajudam a reter informação e manter o exercício cognitivo.

Apesar dos alertas, os especialistas lembram que o cérebro humano tem grande capacidade de adaptação e que a singularidade das ideias humanas continuará a ter valor num cenário em que a IA se fortalece. O uso consciente das ferramentas, dizem, é essencial para preservar competências mentais.

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.