Catharina Doria afirma ter perdido perfis no Instagram por decisão automatizada
Catharina Doria, influenciadora conhecida por orientar sobre ética e verificação de imagens geradas por inteligência artificial, teve duas contas no Instagram suspensas nas últimas semanas, segundo entrevista à BBC News Brasil. A criadora de conteúdo, que reúne quase 600 mil seguidores em suas redes, alertava públicos sobre como distinguir fotos reais de fabricadas por IA e sobre riscos de expor imagens de crianças online.
O episódio começou no fim de março, quando Catharina criou um perfil para a cadela que adotou, Miss Petunia, com o nome de usuário @misspetuniathechi. De acordo com a influenciadora, a conta foi bloqueada imediatamente após a criação, antes de qualquer publicação, foto de perfil ou biografia.
“No momento em que eu cliquei para criar a conta, eu recebi uma notificação de que a minha conta tinha sido banida por ir contra as diretrizes da comunidade”, disse ela à BBC News Brasil. Ela também relatou ter recebido um e-mail do Instagram informando que a suspensão se deu por violar as “Community Standards on account integrity”.
Catharina afirma ter seguido o procedimento indicado pela plataforma, enviando documento de identidade para recurso, mas recebeu uma nova mensagem alegando que o documento havia sido recusado, sem detalhar o motivo, e em seguida a conta foi desativada.
Em maio, o Instagram notificou a influenciadora sobre a suspensão de outra conta sua, @theaisurvivalclub, comunidade dedicada ao letramento crítico em inteligência artificial. Segundo a plataforma, essa conta estaria vinculada a outra que infringiu regras.
A conta principal da criadora, @cahdoria, permanece ativa, mas ela disse temer novas derrubadas em função das regras que recebeu na comunicação da Meta. Procurada, a Meta declarou que não iria se manifestar; a empresa não informou se houve revisão humana das decisões.
O caso suscitou debate sobre a opacidade das decisões automatizadas. O advogado e pesquisador da Universidade de Harvard Caio Vieira Machado afirmou que a dificuldade central é entender os motivos das suspensões e ter possibilidade efetiva de contestação. Ele ressaltou que algoritmos podem sinalizar conteúdo equivocadamente e que erros, mesmo em pequena proporção, se multiplicam em escala global.
Machado lembrou que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) prevê a possibilidade de solicitar revisão humana de decisões automatizadas que afetem interesses do cidadão, mas observou que, na prática, essas revisões costumam ser realizadas por revisores terceirizados sob alta pressão e com pouco tempo para avaliação.
O relato de Catharina Doria e as explicações de especialistas ficam sem alteração até que haja manifestação adicional da plataforma.
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