O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a Casa Branca em Washington após encontro seguido de almoço com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião, que contou com a participação de ministros de ambos os países, durou cerca de três horas.
Inicialmente estava previsto que Lula e Trump falassem à imprensa no Salão Oval, mas o plano foi alterado. O presidente brasileiro deve atender jornalistas na sede da embaixada do Brasil na capital norte-americana ainda nesta tarde.
Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu com Lula “muitos tópicos”, entre eles questões comerciais e tarifas. O presidente norte-americano afirmou: “A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, e chamou Lula de “muito dinâmico”.
Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). As equipes dos dois países negociaram previamente o encontro, com a expectativa de tratar temas como comércio, combate ao crime organizado, assuntos geopolíticos e minerais críticos.
No mês anterior, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua para combater o tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões nas aduanas dos dois países, com o objetivo de permitir investigações mais rápidas sobre padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Histórico
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, um período de tensões em função da política tarifária adotada pelo governo norte-americano. O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, afetando o Brasil, um dos principais fornecedores desses produtos.
As medidas americanas combinaram justificativas econômicas e políticas. Também houve críticas dos EUA à Suprema Corte do Brasil no contexto das decisões relativas ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelos atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.
Em 2025 os Estados Unidos aplicaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, alegando falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou tratativas diplomáticas e levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC). O país também adotou medidas de reciprocidade e instrumentos legais para tentar evitar uma escalada.
No fim de 2025 e início de 2026 houve recuo parcial dos EUA, com exclusões de produtos e a substituição do chamado “tarifaço” por uma tarifa global temporária de cerca de 10%, embora setores como aço e alumínio mantenham taxas elevadas.
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