Influencer investigado por criar vídeos com deepfake de fiéis da CCB diz que usou “humor” para criticar roupas

William Kevim
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TRANSMISSÃO: SBT | YouTube

O influenciador digital Jefferson de Souza, de 37 anos, está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo após publicar vídeos que usam inteligência artificial para sexualizar imagens de fiéis da Congregação Cristã do Brasil (CCB). Jefferson afirma que o objetivo do material era satírico e visava criticar o modo de vestir de jovens em cultos, e não ofender ou degradar as vítimas, segundo nota divulgada por seu advogado, Aguinaldo Aparecido Ereno.

A investigação, iniciada em fevereiro pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Mateus, na Zona Leste, apura a suposta simulação de cenas de sexo ou pornografia envolvendo menores por meio digital, crime previsto no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cuja pena varia de um a três anos de prisão, além de multa. O Ministério Público solicitou que a delegacia de Lençóis Paulista também conduza parte das apurações.

De acordo com depoimento e publicações do próprio investigado, Jefferson utiliza fotos públicas postadas por frequentadoras da CCB como base para criar vídeos com técnicas de deepfake, transformando imagens estáticas em cenas que simulam dança sensual e colocando outras pessoas ao lado das retratadas. A polícia aponta que entre as vítimas há adolescentes; duas jovens ouvidas confirmaram que tiveram imagens manipuladas, sendo uma delas menor de 16 anos.

Uma das entrevistadas afirmou que a foto foi usada sem autorização e que foi inserida em montagens onde aparece “sensualizando” junto a outras mulheres. Outra jovem relatou ter feito denúncias e aberto processo contra contas que estariam usando sua imagem. A defesa de Jefferson sustenta que ele não sabia que algumas das pessoas eram menores e reforça que a intenção era sátira: “as publicações realizadas em suas redes sociais tinham o intuito estrito de sátira e crítica de costumes, inseridas em um contexto de humor”, diz a nota assinada pelo advogado.

Jefferson se identifica como humorista e mantém perfis no Instagram, YouTube, TikTok e Facebook, somando quase 50 mil seguidores nas plataformas. No YouTube, ele mantém o canal “Humor do Crente”, com mais de 11 mil inscritos, e utiliza apelidos como “Silvio Souza”, além de inserir paródias do logotipo do SBT e imagens de apresentadores em alguns vídeos. Em gravações públicas, ele chegou a explicar o processo: selecionar fotos de fiéis postadas dentro de templos, aplicar ferramentas de IA para animar as imagens e, conforme disse, criticar roupas que “marcam o corpo”.

Após prestar depoimento, o influenciador publicou vídeo de retratação, pedindo desculpas à Congregação Cristã do Brasil e às jovens envolvidas; o advogado afirma que Jefferson manifestou arrependimento público. A CCB informou que não possui registro formal de membros e declarou apoio às medidas legais cabíveis.

Plataformas digitais informaram ações sobre os conteúdos: o TikTok declarou política de tolerância zero para exploração sexual infantil e disse remover publicações desse tipo; o YouTube afirmou ter retirado vídeos que violavam suas diretrizes; a Meta (Instagram e Facebook) não se pronunciou. A polícia continua a apurar o número total de vítimas e a possível ocorrência de difamação contra outras mulheres expostas nos materiais.

Deepfake é a técnica que utiliza inteligência artificial para criar ou alterar imagens, vídeos ou áudios de forma realista, simulando situações que não ocorreram.

Fonte: g1.globo.com

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.