Quem: Phoebe Tesoriere, 23 anos, natural de Cardiff, País de Gales.
O que: A jovem recorreu ao chatbot ChatGPT depois de anos com diagnósticos inconsistentes e, com base nas sugestões da ferramenta, apresentou a hipótese ao médico. Testes genéticos confirmaram o diagnóstico de paraplegia espástica hereditária.
Quando e onde: Tesoriere vinha sendo atendida no sistema público de saúde do Reino Unido (NHS) desde a adolescência. Em 2022 recebeu diagnóstico de epilepsia; em dezembro de 2024 começou a ter piora dos sintomas; em janeiro de 2025 sofreu queda que resultou em três meses de internação; em julho de 2025 teve uma convulsão que a deixou em coma por três dias. Após a recuperação desta última internação, ela consultou o ChatGPT.
Como: Após o coma, Tesoriere descreveu ao chatbot os sintomas que vinha apresentando. O sistema listou várias possibilidades, entre elas a paraplegia espástica hereditária. A paciente levou a sugestão ao seu clínico geral, que considerou a hipótese plausível, e exames genéticos confirmaram o diagnóstico.
Por que buscou a IA: Ao longo de anos, Tesoriere teve registros médicos com diagnósticos variados, incluindo ansiedade, depressão e epilepsia, e relata que precisou insistir para ser ouvida pelos profissionais. Ela também teve histórico de problemas de equilíbrio na infância e foi testada para dispraxia, sem confirmação.
Repercussão e posição das instituições
O Conselho de Saúde da Universidade de Cardiff e Vale declarou que “lamenta saber da experiência de Phoebe” e disse ser inadequado comentar um caso individual, convidando a paciente a contatar a equipe de relacionamento para discutir o atendimento.
A médica generalista Rebeccah Tomlinson, que atende a região de Cardiff e Vale of Glamorgan, afirmou que é difícil para clínicos gerais conhecerem todas as condições e que ferramentas de IA podem servir como ponto de partida, desde que os resultados sejam discutidos com um profissional de saúde. Ela destacou a importância de uma relação médica que seja uma conversa de duas vias.
Contexto mais amplo sobre IA e saúde
Um estudo da Universidade de Oxford observou que chatbots de IA oferecem conselhos médicos inconsistentes, alternando entre orientações úteis e imprecisas, o que dificulta identificar informações confiáveis. Em janeiro, a OpenAI lançou nos Estados Unidos a função ChatGPT Health, destinada a analisar registros médicos para fornecer respostas mais precisas, mas a empresa afirma que a ferramenta não se destina a diagnóstico ou tratamento. A empresa também informou que cerca de 230 milhões de pessoas enviam perguntas sobre saúde e bem-estar ao chatbot semanalmente. Ativistas manifestaram preocupações sobre o acesso da nova função a dados de saúde confidenciais.
Situação atual da paciente: A paraplegia espástica hereditária é frequentemente subdiagnosticada, segundo o NHS, e seus sintomas podem ser amenizados com fisioterapia. Tesoriere deixou de trabalhar como professora de alunos com necessidades educativas especiais por causa das limitações e hoje usa cadeira de rodas. Ela está fazendo mestrado em psicologia e pretende seguir carreira que lhe permita ajudar outras pessoas.
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