As delegações do Irã e dos Estados Unidos terminaram sem acordo uma rodada de negociações realizada em Islamabad, no Paquistão, após cerca de 21 horas de conversas. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, deixou a capital paquistanesa afirmando que a parte iraniana recusou os termos apresentados pelos norte-americanos.
Segundo Vance, os EUA exigiam garantias claras de que o Irã não buscaria uma arma nuclear nem tecnologias que permitam uma rápida construção desse tipo de armamento — condição que, na visão da delegação dos EUA, seria o objetivo central do presidente Donald Trump nas tratativas.
O Irã, por sua vez, reiterou o direito de manter um programa nuclear com fins pacíficos e negou intenção de fabricar uma bomba atômica, classificando as exigências americanas como pretexto para uma mudança de regime. O chefe da delegação iraniana, Mohammad-Bagher Ghalibaf, disse haver boa vontade para negociar, mas apontou desconfiança em razão de ataques anteriores atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.
Ghalibaf informou por meio de uma rede social que a delegação iraniana apresentou propostas consideradas promissoras, mas que a interlocução com o lado americano não foi suficiente para obter confiança nesta rodada. Ele acrescentou que o Irã seguirá empenhado em “consolidar nossas conquistas nesses 40 dias de defesa nacional”.
Estreito de Ormuz
Após o impasse em Islamabad, o presidente Donald Trump declarou que, diante da recusa iraniana em abrir mão de ambições nucleares, a Marinha dos Estados Unidos terá ordens para barrar a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Trump afirmou também que instruiu as forças navais a localizar e interceptar navios em águas internacionais que tenham pago “pedágio” ao Irã e declarou que embarcações que realizarem esse pagamento não terão passagem segura. Além disso, anunciou a intenção de destruir minas que, segundo ele, foram colocadas pelos iranianos no estreito.
O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima do comércio petrolífero mundial, por onde passam cerca de 20% das cargas de óleo globais. A passagem foi fechada pelo Irã como resposta a uma agressão sofrida pelo país, atribuída aos Estados Unidos e a Israel, ocorrida em 28 de fevereiro.
Nas negociações, constaram temas como o controle do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, indenizações por danos de guerra, levantamento de sanções e o fim completo das hostilidades contra o Irã e na região, informou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. Baqaei afirmou que era previsível que essas questões não fossem resolvidas em quase 24 horas de conversas e que divergências sobre o Estreito e assuntos regionais permaneceram.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, indicou que a administração do Estreito de Ormuz passará a obedecer novas regras, e que a passagem não voltará ao status anterior ao conflito.
Com informações de Agência Brasil
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