Após 13 anos sem procedimentos desse tipo, Sergipe voltou a realizar transplantes renais a partir de doadores falecidos e, nos últimos três meses, efetuou nove cirurgias de rim. Um dos transplantes ocorreu no Hospital Universitário de Aracaju e oito foram realizados pela Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC). A retomada foi viabilizada por um contrato entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e o Hospital de Cirurgia, no valor de R$ 241 milhões.
O transplante renal é indicado para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado, pois diminui a dependência da hemodiálise e contribui para a sobrevida. A execução desses procedimentos depende da doação de órgãos, considerada essencial para ampliar a oferta de cirurgias e reduzir a fila de espera.
Entre os casos atendidos está Jucilene Monteiro, 52 anos, moradora de Nossa Senhora da Glória, que convivia com doença renal crônica há cerca de três anos e passou por aproximadamente 11 meses de hemodiálise antes de ser submetida ao transplante no Hospital Cirurgia. Ela relatou cansaço intenso durante o período de tratamento e afirmou ter recebido atendimento adequado desde a avaliação inicial até a cirurgia, com a perspectiva de retomar atividades diárias com mais autonomia após o procedimento.
Doação de órgãos e números
A doação de órgãos e tecidos só é efetivada com a autorização da família, mesmo quando a pessoa havia manifestado a intenção de ser doadora em vida. O processo tem início com a identificação de pacientes em estado neurocrítico, acompanhados pela Organização de Procura de Órgãos. Após a confirmação de morte encefálica, os órgãos são disponibilizados a receptores compatíveis pela Central Estadual de Transplantes, seguindo normas do Sistema Nacional de Transplantes e com supervisão do Ministério Público.
Dados da Central Estadual de Transplantes de Sergipe indicam que, entre janeiro e março de 2026, o estado registrou 10 doadores. Nesse período foram disponibilizados oito corações, com três transplantes realizados; 12 fígados, com oito utilizados; e 25 rins, que resultaram em 17 transplantes. Para córneas, 35 captações geraram 18 transplantes. Em comparação entre os primeiros meses de anos distintos, houve aumento no número de doadores: foram nove no início de 2025 e 13 no mesmo período de 2026, indicador apontado como reflexo do avanço da conscientização sobre a doação de órgãos.
O avanço das atividades de transplante com doador falecido amplia as opções de tratamento para pacientes com insuficiência renal e fortalece a rede de assistência transplantológica no estado.
Com informações de Jornaldodiase
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