EUA e China disputam liderança em IA: vantagem distinta entre “cérebros” e “corpos”, mas posição pode mudar

William Kevim
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Quem: Estados Unidos e China, pesquisadores e empresas de tecnologia como OpenAI, Nvidia, ASML, TSMC, Boston Dynamics; especialistas citados: Nick Wright, Parmy Olson, Selina Xu, Karen Hao, Stephen Witt, Greg Slabaugh, Mari Sako.

O quê: Uma corrida global pelo domínio da inteligência artificial em que cada país mostra pontos fortes distintos: os EUA lideram no desenvolvimento dos sistemas centrais — os “cérebros” da IA, como grandes modelos de linguagem (LLMs) — enquanto a China se destaca na produção e aplicação de robótica e “corpos” inteligentes.

Quando e onde: A disputa atual ganhou ritmo nos últimos anos, com marcos citados entre 2022 e 2025 e consequências econômicas e geopolíticas observadas internacionalmente.

O ponto de partida citado no setor foi o lançamento do ChatGPT pela OpenAI em 30 de novembro de 2022, que popularizou os LLMs e impulsionou investimentos massivos de empresas como Anthropic, Google e Perplexity. A OpenAI afirma ter mais de 900 milhões de usuários semanais do ChatGPT.

No campo do hardware, os EUA mantêm influência sobre os microchips mais avançados usados no treinamento desses modelos. Muitos desses chips são projetados por empresas sediadas na Califórnia, em especial a Nvidia, que atingiu a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado em outubro. Para limitar o acesso chinês a essa tecnologia, os EUA aplicam controles de exportação e a chamada “Regra de Produto Estrangeiro Direto”, que restringe envios quando há componentes ou tecnologia americana envolvidos. Grande parte da fabricação desses chips ocorre em Taiwan, pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC).

A produção de equipamentos de litografia ultravioleta, essenciais para fabricar chips de ponta, depende de uma única empresa mundial: a holandesa ASML. Os Estados Unidos também impuseram limitações para impedir a venda dessas máquinas à China.

Resposta chinesa e o lançamento do DeepSeek

Em janeiro de 2025, na mesma semana em que Donald Trump tomou posse para um segundo mandato, a China apresentou o chatbot DeepSeek. O modelo demonstrou capacidade semelhante aos modelos americanos, mas teria exigido uma fração dos recursos computacionais. A reação do mercado foi imediata: em 27 de janeiro de 2025, a Nvidia registrou a maior perda de valor de mercado em um único dia na história da bolsa americana, cerca de US$ 600 bilhões. Especialistas sugerem que as restrições aos chips podem ter estimulado a inovação e a autossuficiência chinesa.

Sob o ponto de vista de desenvolvimento, empresas chinesas costumam adotar práticas mais abertas, publicando códigos que outras companhias podem usar e aprimorar, acelerando a difusão de soluções.

Robótica e aplicação prática

No âmbito da robótica, a China ampliou investimentos desde a década de 2010, subsidiando fabricantes e fomentando pesquisa. Hoje o país teria cerca de dois milhões de robôs em operação, mais que o restante do mundo somado, e responde por cerca de 90% das exportações globais de robôs humanoides. Projetos como uma “fábrica escura” em Chongqing, com 2 mil robôs capazes de produzir um carro por minuto, ilustram a escala.

Apesar do avanço nos “corpos”, esses sistemas dependem de “cérebros” sofisticados para tarefas complexas. Pesquisadores afirmam que os EUA ainda preservam vantagem nos componentes mais valiosos do robô — chips e software — responsáveis por cerca de 80% do valor total da máquina.

Em demonstrações públicas, robôs como o Spot, da Boston Dynamics, tornaram-se símbolos da tecnologia, com transmissão e vídeos alcançando grande audiência — transmissão: com milhões de visualizações (YouTube). Esses sistemas já são usados para inspeções industriais e, quando integrados a IA agêntica, podem operar com maior autonomia. Há também aplicações militares emergentes, como o uso de drones autônomos em conflitos recentes.

Por que importa: A disputa pela IA não tem um ponto final claramente definido. Especialistas apontam que a vantagem crucial será manter liderança tecnológica, incorporar IA na economia e estabelecer padrões globais. Cada país age dentro de seu modelo — mercado aberto nos EUA e supervisão estatal na China — e ambos podem ganhar terreno conforme adaptem suas estratégias.

As mudanças rápidas no desenvolvimento de LLMs e robótica indicam que diferenças atuais entre “cérebros” e “corpos” podem se estreitar, tornando a liderança um objetivo fluido e contestado nos próximos anos.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.