Rússia intensifica controle da internet com bloqueios a VPNs e risco de suspensão do Telegram

William Kevim
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Governo adota medidas que podem isolar rede russa e afetar serviços de comunicação

O governo russo ampliou nas últimas semanas as ações para restringir o acesso à internet, com bloqueios a redes privadas virtuais (VPNs), apagões móveis frequentes e a possibilidade de cortar totalmente o Telegram, aplicativo usado por cerca de 100 milhões de pessoas no país.

Na segunda-feira (30/03), o ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, afirmou no aplicativo de mensagens MAX, promovido pela agência reguladora Roskomnadzor, que “a meta é reduzir o uso” de VPNs. Segundo ele, as medidas visam “restringir o acesso a uma série de plataformas estrangeiras” que, na avaliação do governo, não cumprem a legislação russa sobre segurança e combate ao terrorismo.

Dados citados pelo jornal Kommersant indicam que, até meados de janeiro, mais de 400 VPNs já haviam sido bloqueadas na Rússia — um aumento de 70% em relação ao fim do ano anterior. A pressão sobre esses serviços levou a Apple a retirar da App Store alguns aplicativos de VPN que permitiam acesso a sites considerados censurados pelo regime.

Além do ataque às VPNs, a Rússia registra apagões digitais constantes desde o início da invasão à Ucrânia, em 2022. Em grandes cidades como Moscou e São Petersburgo, usuários relatam interrupções em serviços básicos, como chamadas de táxi, pagamentos e ligações. Especialistas da desenvolvedora Amnezia, citados pelo jornal britânico The Guardian, preveem que bloqueios em Moscou tendem a se tornar “mais ou menos rotineiros” e afirmam que as autoridades dispõem da tecnologia necessária para efetuar um apagão nacional, observando semelhanças com medidas aplicadas no Irã.

Com a intensificação das restrições, muitos cidadãos recorreram a alternativas analógicas e equipamentos antigos: walkie-talkies, telefones fixos, pagers, mapas impressos e tocadores de MP3 voltaram a ser utilizados em algumas regiões.

O Telegram, criado pelo russo Pavel Durov, hoje baseado nos Emirados Árabes Unidos, é apontado como o principal canal de comunicação remanescente de alcance amplo no país. O aplicativo tem sido usado por soldados para contato com familiares e por administrações locais próximas às áreas de conflito para alertas de ataque. Algumas reportagens indicaram que o bloqueio total do Telegram poderia ocorrer já na quarta-feira (01/04), embora autoridades possam adiar ou reavaliar a decisão, inclusive até depois das eleições parlamentares de setembro.

Shadayev também disse que houve tentativas “em vão” de negociar um acordo para cobrar custos adicionais caso o tráfego internacional de dados por usuário ultrapassasse 15 gigabytes mensais.

Desde 2022, após a invasão da Ucrânia, o governo russo aprovou leis mais restritivas e ampliou a censura, reforçando o papel do Serviço Federal de Segurança (FSB). Em 2022, a Meta (dona do Facebook e Instagram) foi formalmente classificada como “terrorista” pelo Estado russo, o que restringiu o acesso às plataformas no país. Mais recentemente, o WhatsApp também chegou a ficar bloqueado e o Telegram teve sua velocidade reduzida em diversos momentos, enquanto interrupções na internet móvel foram registradas repetidamente em Moscou e outras regiões.

A justificativa oficial para as restrições à internet móvel é o combate a drones ucranianos, mas a medida suscitou críticas internas, inclusive de autoridades locais. O governador da região de Belgorod afirmou que as interrupções estariam gerando “mortes desnecessárias” no contexto do conflito. Vídeos citados pelo The New York Times mostram soldados no front dizendo que o Telegram é crucial para operações e pedindo que as autoridades mudem a decisão.

No parlamento, a câmara baixa colocou em votação uma proposta que exigia do governo justificativa para o bloqueio do Telegram; a iniciativa foi rejeitada por 102 votos contrários, enquanto 77 deputados votaram a favor. Autoridades também negaram cerca de 25 pedidos de autorização para manifestações contra as restrições, e 12 pessoas foram presas em um protesto em Moscou em 29/03.

O aumento das irregularidades no acesso à internet e as ações contra ferramentas de contorno da censura indicam uma tendência de maior controle estatal sobre a rede no país, com impactos em comunicações cotidianas e operações em zonas de conflito.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.