Quase 400 instalações de saúde no Líbano e no Irã são danificadas por bombardeios de Israel e dos EUA

Robson Alves
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O avanço dos combates no Oriente Médio resultou em uma escalada de ataques a serviços de saúde. Levantamentos oficiais apontam que Israel e Estados Unidos já danificaram quase 400 hospitais, postos e ambulâncias no Líbano e no Irã desde o início de março.

Líbano

Relatório divulgado nesta terça-feira (24) pelo Ministério da Saúde libanês indica que 70 unidades de saúde foram bombardeadas a partir de 2 de março de 2026. Duas semanas atrás, eram 18 ocorrências confirmadas.

Os sucessivos ataques provocaram a morte de 42 profissionais e deixaram 119 feridos. Cinco hospitais precisaram encerrar totalmente as atividades, enquanto outros nove sofreram danos parciais. Além disso, 54 unidades básicas de saúde foram fechadas.

Nesta manhã, dois paramédicos foram mortos em Nabatieh quando um comboio de motocicletas foi atingido, informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) corrobora os números libaneses. Em nota, a agência registra que a infraestrutura médica está “gravemente afetada” e ressalta a necessidade de atender mais de 2,9 mil feridos do conflito, além de pacientes que já estavam em tratamento.

A Força de Defesa de Israel (FDI) alega que o Hezbollah faz “uso militar extensivo” de ambulâncias e hospitais. Já a Anistia Internacional afirma que Tel Aviv não apresentou provas e recorda episódios semelhantes durante a guerra de 2024.

Irã

No mesmo dia, o Ministério da Saúde iraniano relatou danos a 313 centros médicos, hospitais, ambulâncias ou outros equipamentos desde o início da ofensiva. Vinte e três trabalhadores da área teriam sido mortos.

Números da Crescente Vermelha Iraniana são próximos: 281 instalações, entre hospitais, farmácias e filiais da organização, foram atingidas. O presidente da entidade, Pir-Hossein Kolivand, detalhou que 17 bases da Cruz Vermelha e 94 ambulâncias ou veículos de resgate foram “alvejados diretamente”.

Até 18 de março, a OMS reconhecia 20 ataques a unidades de saúde no país, com nove mortes confirmadas.

Washington nega investidas deliberadas contra alvos civis no Irã. Entretanto, o secretário de Estado, Marco Rubio, admitiu que “efeitos colaterais” podem ocorrer durante as operações.

Violação do direito humanitário

Organizações internacionais lembram que bombardear hospitais, postos de socorro e profissionais de saúde viola convenções humanitárias. Até o momento, não há registro de ações semelhantes contra centros médicos em Israel ou em países do Golfo que tenham sido alvo de mísseis iranianos.

Acusações de estratégia deliberada

Para o jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, a quantidade de instalações atingidas sugere uma tática intencional. Segundo ele, os ataques buscam “pressionar e aterrorizar a população civil” e, assim, provocar insatisfação contra o Hezbollah no Líbano ou incentivar uma “mudança de regime” no Irã. Assi ressalta que, além de alvos diretos, construções vizinhas a grandes hospitais também vêm sendo bombardeadas, obrigando evacuações.

Gaza e Cisjordânia

Situação semelhante ocorreu na Faixa de Gaza após 7 de outubro de 2023. A OMS contabiliza 931 ataques a unidades de saúde no enclave e outros 940 na Cisjordânia. Nesse período, 991 profissionais foram mortos e cerca de 2 mil ficaram feridos. Israel sustenta que o Hamas utiliza hospitais como “escudo”, argumento rejeitado pelo grupo palestino.

Os militares israelenses afirmam que procuram respeitar o direito humanitário e costumam emitir alertas para evacuação de áreas que serão bombardeadas.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.