TRANSMISSÃO: Record
Pesquisadores e especialistas em economia digital alertam que diversos serviços oferecidos como “gratuitos” na internet, na prática, são financiados por informações pessoais, tempo de navegação e padrões de comportamento dos usuários. A constatação envolve redes sociais, buscadores, frete de comércio eletrônico, aplicativos de entretenimento, portais de notícias, conexões Wi-Fi públicas, chatbots de inteligência artificial e até a sensação de que não há nada a pagar.
Redes sociais trocam dados por anúncios
Plataformas como Facebook, Instagram e outras redes da Meta coletam curtidas, comentários, tempo de permanência e reações emocionais para segmentar publicidade. De acordo com analistas, cada interação alimenta bancos de dados que sustentam o chamado “capitalismo de vigilância”, modelo em que o usuário não desembolsa dinheiro, mas oferece atenção e informação.
Buscadores convertem intenções de busca em valor
O Google, da Alphabet Inc., disponibiliza seu motor de pesquisa sem cobrança direta, mas cada consulta revela intenções de compra e interesses pessoais. Essa base de dados impulsiona campanhas de anúncios direcionados, transformando perguntas em receita para a empresa.
Frete “zero” no comércio eletrônico
No comércio on-line, o rótulo “frete grátis” mascara custos de combustível, armazenagem e logística. Esses valores são redistribuídos, incorporados ao preço final ou compensados por volume de vendas, resultando em economia aparente que, na verdade, é paga indiretamente pelo consumidor.
Modelos freemium em aplicativos de entretenimento
Serviços de streaming de vídeo, música e jogos costumam abrir catálogos sem assinatura inicial. O público, contudo, remunera a plataforma ao permanecer conectado, gerando estatísticas de consumo que ajustam algoritmos de recomendação e ampliam oportunidades comerciais.
A publicidade sustenta portais de notícias digitais
Sites jornalísticos que oferecem leitura sem paywall obtêm receita prioritariamente por meio de anúncios. Cliques, tempo de leitura e engajamento se convertem em métricas comercializadas com anunciantes, substituindo a cobrança direta pela monetização da audiência.
Wi-Fi público coleta localização e histórico de navegação
Aeroportos, cafeterias e hotéis disponibilizam conexão sem custo monetário, mas solicitam permissões para registrar dispositivos, locais frequentados e páginas acessadas. Esses dados podem ser repassados a parceiros comerciais ou utilizados em estratégias de marketing geolocalizado.
Chatbots de IA reforçam infraestrutura corporativa
Ferramentas de inteligência artificial, oferecidas sem assinatura em sua fase inicial, ganham volume de interações que aprimoram modelos de linguagem e consolidam bancos de dados proprietários. Cada consulta alimenta a tecnologia e viabiliza futuras aplicações rentáveis.
Ilusão de gratuidade diminui percepção de troca
Ao não desembolsar dinheiro, o usuário tende a não reconhecer o ato de pagamento. Especialistas defendem que essa sensação reforça a ideia de neutralidade do sistema, embora a troca continue ocorrendo de forma menos visível, com consequências sociais e econômicas ainda em debate.
Com informações de G1
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