Estudo alerta que chatbots de IA podem uniformizar fala, escrita e raciocínio humanos

William Kevim
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São Paulo – A crescente popularização dos chatbots baseados em inteligência artificial (IA) está reduzindo a variedade de formas de expressão e de pensamento das pessoas, conclui artigo divulgado em meados de março na revista científica Trends in Cognitive Sciences. O trabalho reúne cientistas da computação e psicólogos que observam um processo de homogeneização linguística impulsionado pelos grandes modelos de linguagem, os chamados LLMs.

Segundo os autores, quando usuários recorrem aos mesmos sistemas para revisar textos, resolver problemas ou planejar tarefas, estilos individuais, perspectivas culturais e estratégias de raciocínio tendem a se aproximar. “Quando essas diferenças são mediadas pelos LLMs, seus estilos linguísticos, perspectivas e estratégias de raciocínio se tornam homogeneizados”, afirma o professor de ciência da computação Zhivar Sourati, da Universidade do Sul da Califórnia e primeiro autor do estudo.

Risco de perda de sabedoria coletiva

Para o grupo, se o fenômeno avançar sem controle, há possibilidade de encolhimento da sabedoria coletiva e da capacidade humana de adaptação. A recomendação é que desenvolvedores incluam maior diversidade cultural, social e linguística nos conjuntos de dados que alimentam os modelos, refletindo a pluralidade do mundo real.

Os pesquisadores citam análises que apontam menor variação nos textos produzidos por IA em comparação ao conteúdo escrito por pessoas. Esses resultados costumam espelhar valores associados a sociedades ocidentais, educadas, industrializadas, ricas e democráticas – classificadas pelo acrônimo em inglês WEIRD – o que representa apenas uma fração da experiência humana global.

Efeito na criatividade individual e coletiva

Outro ponto levantado é o impacto na criatividade. Embora estudos indiquem que indivíduos geram mais ideias ao utilizar LLMs, grupos que dependem dessas ferramentas apresentam desempenho criativo inferior ao de equipes que combinam suas competências sem recorrer à tecnologia. O efeito não se restringe a quem usa IA diretamente: “Se muitas pessoas ao meu redor pensam e falam de uma certa maneira e eu faço as coisas de um jeito diferente, acabo me sentindo pressionado a me alinhar a elas”, observa Sourati.

Resposta da própria IA

Para ilustrar a questão, os pesquisadores pediram a um chatbot que avaliasse se a tecnologia estaria moldando padrões de comunicação humana. A ferramenta respondeu positivamente e reconheceu o “risco de desumanização” associado à perda de vínculos genuínos e à redução da interação pessoal.

O estudo conclui que preservar a diversidade cognitiva é essencial não apenas para a sociedade, mas também para aprimorar o desempenho dos próprios modelos de IA, que se beneficiam de dados mais amplos e representativos.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.