TRANSMISSÃO: Record
A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) proibiu, na segunda-feira (23), a entrada no país de qualquer roteador novo fabricado no exterior. A medida, anunciada em Washington, foi apresentada como resposta a “graves riscos de segurança cibernética” associados principalmente a equipamentos produzidos na China, que já enfrenta outras restrições comerciais no mercado norte-americano.
Segundo estimativa citada pela agência Reuters, fabricantes chineses detêm cerca de 60% do segmento de roteadores domésticos nos Estados Unidos. Esses aparelhos são responsáveis por conectar computadores, telefones e outros dispositivos à internet em residências e pequenos escritórios. O veto não atinge modelos que já estão sendo comercializados ou utilizados atualmente; vale apenas para versões lançadas a partir da publicação da ordem.
Análise da Casa Branca embasou decisão
De acordo com a FCC, uma avaliação solicitada pela Casa Branca concluiu que roteadores importados poderiam ser explorados para “interromper de forma imediata e severa” a infraestrutura crítica do país. O órgão afirmou ter registrado casos em que vulnerabilidades desses dispositivos facilitaram invasões domésticas, interrupções de redes, espionagem e roubo de propriedade intelectual.
No comunicado, a comissão mencionou três ações cibernéticas atribuídas a hackers chineses — Volt, Flax e Salt Typhoon. Esta última teria conseguido acesso indevido a contas de e-mail de assessores do Congresso norte-americano.
Exceção para equipamentos considerados seguros
A determinação prevê uma isenção específica para roteadores avaliados pelo Departamento de Defesa como isentos de “riscos inaceitáveis”. Detalhes sobre quais modelos podem se enquadrar nessa categoria não foram divulgados.
Repercussão no Congresso e posição da China
Parlamentares já vinham demonstrando preocupação com a presença de dispositivos chineses em redes americanas. O deputado republicano John Moolenaar, que dirige o comitê seleto da Câmara sobre a China, elogiou a decisão. Para ele, “roteadores são essenciais para manter todos conectados e não podemos permitir que a tecnologia chinesa esteja no centro disso”.
A embaixada da China em Washington não comentou o anúncio da FCC até a última atualização desta reportagem.
Processo contra a TP-Link e outras restrições
Em fevereiro, o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, processou a TP-Link Systems sob acusação de propaganda enganosa e de possibilitar acesso do governo chinês a dados de consumidores americanos. A companhia, sediada na Califórnia e originária de uma fabricante chinesa, negou qualquer controle estatal sobre suas operações e prometeu “defender vigorosamente” sua reputação.
Também em fevereiro, a Reuters informou que o governo Trump havia suspendido uma proposta para banir a venda doméstica de roteadores da TP-Link. Anteriormente, em dezembro, a FCC já havia adotado medida semelhante que bloqueou a importação de novos modelos de drones fabricados na China.
Com a nova determinação, a agência reforça o conjunto de barreiras impostas a produtos considerados susceptíveis a interferências externas e espionagem, mantendo a vigilância sobre a presença de tecnologia chinesa em setores estratégicos dos Estados Unidos.
Com informações de G1
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