O presidente-executivo do Pinterest, Bill Ready, defendeu nesta sexta-feira (20) que governos em todo o mundo proíbam o acesso de adolescentes com menos de 16 anos a qualquer rede social. A manifestação foi publicada em um ensaio no LinkedIn no mesmo dia em que um júri em Los Angeles avalia um processo que discute o impacto dessas plataformas sobre a saúde mental dos jovens.
Pedido de legislação mais rígida
“Precisamos de um padrão claro: nada de redes sociais para adolescentes menores de 16 anos, respaldado por aplicação efetiva da lei e responsabilidade tanto dos sistemas operacionais de smartphones quanto dos aplicativos que neles rodam”, escreveu Ready. O executivo citou a Austrália como exemplo de país que já adotou restrições formais a usuários nessa faixa etária.
Pressão sobre gigantes de tecnologia
O posicionamento de Ready contrasta com a postura da maioria dos chefes das grandes empresas do setor, que enfrentam crescente pressão de reguladores, tribunais e legisladores para revisar o modo como crianças e adolescentes utilizam seus produtos. O julgamento em andamento nos Estados Unidos analisa acusações de que Google e Meta contribuem para uma crise de saúde mental ao disponibilizar aplicativos que, segundo a ação, prejudicam o bem-estar dos jovens. O júri delibera sobre o veredito.
Situação do Pinterest
Nos Estados Unidos, a idade mínima para abrir uma conta no Pinterest é de 13 anos, segundo o site da própria companhia. Apesar disso, a plataforma de compartilhamento de imagens tem intensificado esforços para conquistar a geração Z—grupo nascido entre 1997 e 2012. Dados da empresa de análise Apptopia indicam que cerca de um terço da base de usuários do Pinterest tem entre 17 e 25 anos.
Responsabilidade compartilhada
Ao defender a proibição, Ready destaca a necessidade de envolver não só as redes sociais, mas também os desenvolvedores de sistemas operacionais de celulares na fiscalização do limite de idade. Na visão do executivo, apenas uma articulação conjunta entre plataformas, fabricantes de dispositivos e autoridades pode garantir que as restrições sejam efetivamente cumpridas.
Silêncio da empresa
Procurado para comentar a publicação do CEO, o Pinterest não se pronunciou. A companhia, fundada em 2010, soma mais de 482 milhões de usuários ativos mensais em todo o mundo e opera com receita majoritariamente baseada em publicidade digital.
A defesa de Ready por regras padronizadas reforça o debate global sobre a proteção de menores na internet. Enquanto governos analisam possíveis legislações, o veredito do julgamento em Los Angeles pode estabelecer novos rumos para a forma como redes sociais lidam com crianças e adolescentes.
Com informações de G1
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