Irã ordena evacuação de refinarias e complexos de gás no Golfo e ameaça novos ataques

Robson Alves
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Teerã, 18 de março de 2026 – A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã exigiu, nesta terça-feira (18), a retirada imediata de trabalhadores e moradores de cinco instalações de petróleo e gás localizadas no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Segundo comunicado divulgado pela televisão estatal Press TV, esses empreendimentos “passam a ser alvos legítimos” e podem ser atingidos “nas próximas horas”.

O aviso atinge diretamente a refinaria Samref e o complexo petroquímico Al-Jubail, em território saudita; o campo de gás Al-Hosn, nos Emirados; além do complexo petroquímico Al-Mesaieed e a refinaria de Ras Laffan, ambos no Catar. A força de elite iraniana também recomenda que a população permaneça distante de “qualquer infraestrutura petrolífera associada aos Estados Unidos”.

Repercussão no mercado de energia

O alerta elevou a tensão nos mercados. Na manhã desta quarta-feira (18), o barril do petróleo Brent subia cerca de 5%, negociado a US$ 108. Analistas atribuem a valorização à possibilidade de novos danos em pontos estratégicos de produção e ao já registrado fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde circula aproximadamente 25% do petróleo comercializado no mundo.

Agência de notícias do governo iraniano, a Fars News reproduziu declaração de uma fonte militar segundo a qual “o mercado de energia sofrerá um novo choque”, e que as chamas dos ataques “roubarão a estabilidade dos regimes que apoiam o inimigo na região”.

Motivo da retaliação

Teerã justifica a ameaça como resposta a bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o complexo de South Pars – maior campo de gás natural do planeta, na fronteira entre Irã e Catar – e contra unidades de refino em Asaluyed, na costa iraniana. No texto oficial, o governo persa acusa monarquias árabes do Golfo de manter “subserviência cega” e afirma ter advertido esses países sobre “o risco de arrastar seus povos para uma grande aposta”.

Reações de Catar e Arábia Saudita

Em Doha, o ministro das Relações Exteriores, Majed Al Ansari, classificou o ataque israelense a instalações de energia iranianas como “irresponsável” e reforçou que qualquer agressão contra infraestrutura vital “ameaça a segurança energética global, as populações da região e o meio ambiente”.

Riad, por sua vez, convocou para a noite desta quarta-feira (18) uma reunião com países árabes e islâmicos a fim de discutir a escalada do conflito e “aperfeiçoar a coordenação para proteger a segurança e a estabilidade regional”. O governo saudita informou ter interceptado dois mísseis balísticos e um drone na região Leste do país no mesmo dia.

Não há, até o momento, relatos de interrupção total das operações nos complexos citados, mas equipes de emergência e funcionários iniciaram protocolos de evacuação de acordo com autoridades dos três países afetados.

As chancelarias de Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos ainda não divulgaram detalhes sobre eventuais negociações diplomáticas com o Irã para conter a ameaça. Observadores regionais monitoram a situação, preocupados com possíveis impactos prolongados no fornecimento de petróleo e gás.

Enquanto isso, companhias internacionais de energia acompanham o desdobramento dos acontecimentos e avaliam planos de contingência para manter abastecimento global, caso as instalações venham a ser efetivamente atacadas.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.