O governo dos Estados Unidos reafirmou nesta terça-feira (17) que a desenvolvedora de inteligência artificial Anthropic representa um “risco inaceitável” para o abastecimento das Forças Armadas. A posição sustenta a decisão, tomada no começo de março, de incluir a companhia em uma lista de entidades potencialmente perigosas para a segurança nacional depois que a empresa recusou liberar o uso irrestrito de seu modelo para fins militares.
A disputa ganhou contornos judiciais quando a Anthropic ingressou com uma ação em um tribunal federal da Califórnia contestando a medida. Em resposta, o Departamento de Guerra (DoW) — novo nome do Pentágono sob a administração do presidente Donald Trump — apresentou documento no qual justifica o corte de vínculos com a companhia.
Preocupação com operações em curso
No texto obtido pela agência AFP, o governo sustenta que os sistemas de IA “são especialmente vulneráveis à manipulação” e assegura que, se mantiver acesso aos instrumentos de defesa, a Anthropic poderia “desativar sua tecnologia ou alterar o comportamento do modelo” durante operações bélicas, caso entenda que suas próprias “linhas vermelhas” foram ultrapassadas. O documento conclui que essa possibilidade comprometeria a cadeia de suprimentos militares, configurando ameaça direta à segurança nacional.
O embate se intensificou após relatos de que o modelo Claude, criado pela empresa, teria sido empregado na identificação de alvos para bombardeios no Irã. Apesar da alegação, a Anthropic manteve-se contrária ao emprego ilimitado de suas soluções em ações militares, posição que, segundo o governo, quebra a confiança necessária para parcerias estratégicas.
Consequências comerciais
Ao rotular a Anthropic como “risco para a cadeia de suprimentos”, Washington impõe restrições que podem afastar fornecedores ligados ao governo. Normalmente, esse tipo de sanção atinge companhias sediadas em países considerados adversários, como a chinesa Huawei.
O movimento provocou reação de outros gigantes do setor. A Microsoft, que também oferece serviços de IA ao Exército norte-americano, apresentou manifestação separada em apoio à Anthropic. No documento entregue ao mesmo tribunal, a empresa defende que a exclusão pode comprometer o ecossistema de inteligência artificial estimulado pela própria administração.
Enquanto o processo tramita, a Anthropic tenta reverter a classificação e restabelecer o acesso a projetos de defesa, argumentando cumprir todas as exigências legais vigentes. O Departamento de Guerra, porém, sinaliza que não pretende recuar enquanto não tiver a garantia de uso irrestrito da tecnologia em “qualquer aplicação legal” definida pelos militares.
Com informações de G1
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