Havana atravessa, nesta sexta-feira (13), o terceiro mês consecutivo sem a chegada de qualquer navio-tanque, consequência direta do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, que ameaça punir países e empresas que forneçam petróleo à ilha.
Em entrevista coletiva na capital cubana, o presidente Miguel Díaz-Canel relatou que, nos últimos dias, alguns municípios enfrentaram apagões de até 30 horas. “Estamos trabalhando em condições extremamente adversas que afetam todo o nosso povo”, afirmou.
Dependência de termelétricas
Cerca de 80% da geração elétrica cubana provém de termelétricas que utilizam combustíveis fósseis. A restrição de compra de petróleo no mercado internacional, reforçada pelo bloqueio naval norte-americano à Venezuela desde o fim de 2025, diminuiu drasticamente o abastecimento da ilha.
Negociações iniciais com Washington
Díaz-Canel confirmou que Havana iniciou conversas preliminares com representantes do governo dos EUA. Segundo ele, o diálogo busca “soluções para as diferenças bilaterais” e ocorre sob mediação de atores internacionais. O dirigente ressaltou que qualquer entendimento deverá respeitar a soberania, os sistemas políticos de ambos os países e o princípio da autodeterminação.
Ameaças da Casa Branca
O presidente norte-americano Donald Trump declarou publicamente que Cuba “passará por uma mudança em breve”, sugerindo que o cenário poderia se alterar após o conflito no Irã. Em 29 de janeiro, Trump assinou uma Ordem Executiva que classificou Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA. O documento determina tarifas sobre produtos de países que exportem petróleo para a ilha.
Medidas internas para contornar a crise
Diante da escassez, o governo cubano intensificou a extração de petróleo bruto nacional, ampliou parques solares e incentivou o uso de veículos elétricos. Durante o dia, a participação de fontes renováveis oscila entre 49% e 51% da eletricidade produzida, informou Díaz-Canel.
Apesar dos avanços, o presidente reconheceu que o combustível importado continua essencial para manter serviços de saúde, educação, transporte público e a própria rede elétrica. A falta de energia já levou ao adiamento de milhares de cirurgias, inclusive em crianças, destacou.
Impacto cotidiano
Moradores de Havana descrevem o atual momento como o mais difícil das últimas décadas. Os apagões frequentes, a alta no preço de itens básicos, a redução do transporte urbano e o enxugamento da cesta alimentar subsidiada agravam a situação, especialmente nas províncias do interior, onde cortes de luz podem durar quase um dia inteiro.
A crise energética se soma a um embargo econômico que vigora há 66 anos, iniciado logo após a Revolução de 1959. O novo endurecimento das sanções aprofunda as dificuldades do país caribenho, que soma cerca de 11 milhões de habitantes.
Com informações de Agência Brasil
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