Defesa Civil de Aracaju identifica obras irregulares que prejudicam drenagem e intensificam alagamentos

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A Defesa Civil de Aracaju vistoriou pontos atingidos pelas últimas chuvas e constatou interferências irregulares que dificultam o escoamento da água e ampliam os alagamentos na capital sergipana. A Rua Valdeci Santos, no bairro Jardim Centenário, Zona Oeste, foi um dos locais onde o problema ficou evidente. Técnicos do órgão, vinculado à Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seminfra), verificaram que sarjetas foram concretadas e receberam rampas improvisadas, situação que impede a passagem da água para as bocas de lobo.

As sarjetas, posicionadas entre o meio-fio e o leito da via, têm a função de conduzir a água da chuva até a rede de drenagem. “Quando esse canal é bloqueado, formam-se poças, aumenta o risco de aquaplanagem e ocorrem alagamentos”, explicou o engenheiro da Defesa Civil, Gabriel Teixeira.

A atuação do órgão ocorreu após solicitação de moradores. A dona de casa Joseane Conceição relatou que, em dias chuvosos, a via fica completamente tomada pela água. “Os carros passam e a água suja invade minha casa. A rua foi mexida e ficou assim; não sei se foi a Deso ou a Iguá”, reclamou. Morador há mais de três décadas, o conferente Maurino de Almeida endossou a crítica: “Depois da obra da Iguá, a situação piorou muito”.

Obstrução de bocas de lobo

Outro problema registrado pelos agentes ocorre no bairro São Conrado, Zona Sul. Várias bocas de lobo foram encontradas parcialmente fechadas com cimento, tijolos furados ou blocos cerâmicos, inseridos pelos próprios moradores para tentar evitar a entrada de lixo. Em um dos casos, o sistema de drenagem foi transformado em extensão de rampa de acesso à garagem — intervenção realizada sem autorização da Prefeitura.

Segundo Gabriel Teixeira, a prática reduz a capacidade de vazão e prolonga o acúmulo de água na pista em dias de temporal. Ele alertou que a quebra dos blocos cerâmicos pode agravar ainda mais a obstrução. O engenheiro lembrou que a Lei Municipal nº 1.687, de 27 de março de 1991, determina que acessos de veículos devem ser construídos dentro do próprio lote, sem ocupar a via pública.

O técnico reforçou o apelo para que os moradores desfaçam quaisquer barreiras sobre sarjetas ou entradas de bocas de lobo. “Mesmo sem intenção, quem cria esses obstáculos compromete todo o sistema de drenagem. A remoção das rampas e demais materiais evita transtornos para a coletividade”, concluiu.

Com informações de Infonet

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